JT: Em ato, servidores chamam Greve Geral contra reformas de Temer

“Um, dois, três, quatro, cinco, mil, ou param as reformas ou paramos o Brasil”, este foi o coro entoado pelos servidores no ato contra as reformas Trabalhista e da Previdência, que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 19, no Fórum Ruy Barbosa. Estiveram na atividade o presidente do TRT-2, desembargador Wilson Fernandes, ANAMATRA, AMATRA, Associação Brasileira dos Advogados Trabalhistas, Associação dos Advogados Trabalhistas de São Paulo, Aojustra, Sindicato dos Advogados de São Paulo, Tribuna Trabalhista, as centrais sindicais CUT e CSP Conlutas, além dos juristas Jorge Luiz Souto Maior e Marcus Orione.

A manifestação foi parte da construção da greve geral para barrar os ataques do Governo Temer, chamada para acontecer no dia 28 de Abril. “O objetivo deste ato é chamar a atenção da sociedade para essas medidas visam retirar nossos direitos, precarizar cada vez mais o serviço público, acabar com a aposentadoria e com os direitos trabalhistas”, afirmou Inês Leal, servidora da JT e diretora do Sintrajud.

Para Antônio dos Anjos Melquíades, diretor do Sintrajud e servidor da TRF-3, a verdadeira intenção do governo com a Reforma da Previdência é impedir que os brasileiros se aposentem. Durante o ato, o servidor desmentiu o argumento do Governo Federal que diz que existe déficit na previdência. “O governo quer aumentar a contribuição e idade mínima dos trabalhadores para se aposentar, mas não cobra os 426 milhões de reais das empresas que devem a Previdência, e mais, está pretendendo perdoar essas dívidas”, declarou.“Com aquela máfia instalada em Brasília temos que parar tudo dia 28, essa é a única resposta que podemos dar”, ressaltou.

Representando o núcleo dos Aposentados do Sintrajud, Maria Helena Leal, lembrou que os ataques aos trabalhadores aposentados vêm acontecendo há muito tempo, por isso, a luta contra a Reforma da Previdência é a luta dos que já estão aposentados também. “Hoje, quero conclamar: somos todos aposentados”, afirmou.

Erlon Sampaio, oficial de justiça da CEUNI, diretor do Sintrajud e coordenador da Fenajufe, ressaltou que a aprovação da regulamentação da terceirização e as reformas propostas por Temer são os maiores ataques aos direitos dos trabalhadores nas últimas décadas. “Há um conluio entre o congresso nacional, governo federal e empresários para aniquilar a Justiça do Trabalho, o primeiro passo foi quando o Ricardo Barros disse em 2016 que tinha ojeriza a Justiça do Trabalho e fez o corte das verbas no orçamento da JT, um recado dos que querem o fim do estado social, por isso cabe aos trabalhadores e as entidades sérias resistir”, afirmou.

Durante a manifestação, o desembargador presidente do TRT-2 Wilson Fernandes, destacou a importância do ato e da luta em defesa da Justiça Trabalhista. “No que diz respeito a JT tivemos um corte monumental de verbas que quase ameaçou nosso funcionamento, esse ano o orçamento não está tão restrito, embora não esteja adequado perfeitamente a nossa realidade, mas temos uma questão muito grave que é a impossibilidade de substituição de servidores, e temos aposentado de 20 a 30 servidores por mês, o que significa que teremos até o final do ano cerca de 300 servidores a menos. Dá a impressão que o objetivo é acabar com nossa atividade por inanição”, declarou.

O desembargador alertou ainda para a retirada de direitos, que estão colocados com a reforma Trabalhista, travestida de boas intenções. “Se não vai retirar nenhum direito não precisa ser feita nenhuma reforma, para dar mais direitos basta que o empregador tenha vontade de fazer, momentos de crise e desempregos, como o atual, são os menos adequados para fazer reformas com essas”, ressaltou o presidente do TRT-2.

Para o juiz do Trabalho Jorge Luiz Souto Maior, os projetos de reformas trabalhista e da previdência representam um grande risco para o estado democrático e de direito. “O projeto de reforma trabalhista destrói por completo todo o arcabouço jurídico trabalhista, mas não só isto, esta reformas além de destruir a CLT, a Justiça Trabalhista e a previdência, vão destruir também a própria Constituição”, afirmou. “É um momento gravíssimo e importantíssimo de resistir aos ataques aos direitos sociais”, finalizou o jurista.

A necessidade de organizar um grande dia de manifestações e paralisações no país também foi muito destacado. “É fundamental que todos se unam em seus sindicatos, entidades ou associações de bairro para organizar uma grande paralisação no dia 28 em defesa dos direitos dos trabalhadores”, destacou Gabriel Franco, do Sindicato dos Advogados de São Paulo.

Para Celso Borba, diretor do Sindicato dos Metroviários e representante da CSP Conlutas, o dia 28 de abril já é uma realidade em todo o país. “A resposta dos trabalhadores no dia 28 será gigantesca, achamos que será a maior greve geral que este país já viu, posso falar para vocês, vai parar os ônibus, vai parar o metrô, vai parar os trens e queremos parar os aeroportos também”, afirmou.

Ao final do ato, os servidores fizeram uma votação simbólica para ressaltar a paralisação do Judiciário Federal e a participação das manifestações do dia 28 de abril. Além dos presentes, o convite também foi feito a juíza Valdete Severo, doutora em direito do trabalho pela Usp e juíza do trabalho em Porto Alegre, que não pode comparecer, no entanto mandou uma saudação ao ato. (Veja aqui)

Outras atividades para preparação da Greve Geral contra os ataques do Temer já estão marcadas.  Na terça-feira, 25, às 13h, os servidores da Justiça Federal e do TRF-3 vão fazer uma agitação em frente ao Fórum Pedro Lessa. Na JT-Santos, haverá panfletagem nesta quinta-feira, 20, e uma setorial na terça-feira, 25, às 11h.




19/04 – Ato no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa (Barra Funda)




A dez dias da greve geral, Câmara rejeita urgência na reforma trabalhista

O presidente Michel Temer teve outra derrota na Câmara. Não conseguiu aprovar o pedido de urgência que aceleraria a votação do projeto que muda cerca de cem pontos das leis laborais contidas na CLT e faz o que for negociado entre patrões e empregados se sobrepor ao que está previsto na legislação. O Plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, na terça-feira (18), o pedido de urgência na tramitação da proposta de reforma trabalhista (PL 6787/16). Foram 230 votos favoráveis, 163 contrários e uma abstenção. Eram necessários 257 votos para aprovar a urgência.

A vitória do movimento contrário à proposta ocorre a dez dias da greve geral convocada para 28 de abril, contra as reformas previdenciária, trabalhista e a ameaça de terceirização generalizada dos postos de trabalho. Os servidores do Judiciário Federal e do MPU apontaram, em reunião ampliada da federação nacional, a participação de toda a categoria na greve geral.

Concessão feita pelo presidente da casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de receber emendas ao projeto até o dia seguinte (quarta-feira 19), não assegurou a sua aprovação. Aparentemente, a pressa do governo em votar a reforma trabalhista também está relacionada ao desejo de demonstrar força e capacidade de aprovar o conjunto de reformas, entre elas a da Previdência, ainda mais impopular, defendidas pelos setores empresariais. Como a urgência não foi aprovada, o projeto terá que seguir os prazos regimentais na comissão especial que analisa o tema. Assim, a perspectiva mais rápida de votação é o início de maio.

 

Brasília sob pressão

 

 

As discussões que precederam a votação foram acaloradas, num dia marcado por recuos do governo na reforma da Previdência, numa tentativa de angariar apoio em sua própria base aliada, e por um embate entre policiais civis, que tentaram entrar na Câmara para protestar contra as reformas, e a polícia legislativa, que reprimiu o movimento (foto à esquerda).

O ápice do embate no Plenário aconteceu quando a deputada Luiza Erundina (Psol-SP, foto à direita) sentou-se na cadeira do presidente da casa, que havia se levantado por instantes, e disparou: “Passo a palavra agora ao deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que é relator dessa desgraça”. Na véspera, no programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura, Marinho chegou a dizer, ao defender a proposta e a flexibilização de direitos (como a hora de almoço), que nas relações modernas de trabalho o trabalhador come o sanduíche com a mão esquerda enquanto faz o seu serviço com a direita.

O pedido de urgência foi votado sob vaias e gritos de “Fora Temer” por parte dos parlamentares. Deputados da oposição exibiam cartazes, nos quais apontavam a gravidade das citações ao presidente da República nas delações da Lava-Jato.

Na argumentação do relator, essa pressão feita pelos contrários à proposta levou o presidente da Câmara a encerrar a votação antes que todos os deputados pudessem votar. Maia chegou a declarar que errou, o que pode sinalizar possível manobra para recolocar o pedido em pauta.

Seja como for, é certo que o governo que começou com uma das mais amplas bases parlamentares da história do país não tinha os votos para a urgência e, apesar dos recuos e das denúncias de uso da máquina pública, parece distante dos 308 deputados necessários para aprovar a reforma da Previdência. Nada, como se sabe, que não possa mudar de uma hora para outra.

 




Imposto Sindical pode ser doado ao Fundo de Greve

Os servidores da JF e do TRF-3 que tiveram em março o desconto do Imposto Sindical deverão receber em breve a devolução dos valores cobrados. Para fortalecer as lutas da categoria, os servidores podem destinar esse dinheiro ao Fundo de Greve.

Tradição do movimento sindical combativo, o Fundo de Greve é de grande importância para financiar a mobilização dos trabalhadores. Neste momento, por exemplo, os servidores do Judiciário Federal, juntamente com outras categorias,  estão realizando uma grande campanha para derrotar as reformas da Previdência e das leis trabalhistas.

Para doar o dinheiro do Imposto Sindical ao Fundo de Greve, basta preencher o termo de renúncia e doação. Entre nessa luta!

Decisão do CJF

Contrário à cobrança do imposto, o Sintrajud devolve todos os anos a parte que lhe cabe na arrecadação do tributo junto à categoria – 60% do total arrecadado. O Sindicato defende que as entidades sindicais devem se manter apenas com a contribuição voluntária de seus filiados.

No início de fevereiro, o Ministério do Trabalho editou instrução normativa determinando a cobrança do imposto sindical de todos os servidores públicos. A Instrução acabou sendo anulada poucas semanas depois.

Para os servidores do Judiciário Federal, continua valendo uma decisão do Conselho da Justiça Federal (CJF), que estabelece o desconto do imposto para os servidores da JF e do TRF-3 no mês de março. A Justiça Eleitoral e a Justiça Trabalhista não fazem o desconto.

Atualize seus dados

O Sintrajud já apresentou requerimento ao TRF-3 para extinguir a cobrança. Enquanto isso não acontece, o Sindicato devolve o dinheiro diretamente na conta dos servidores, com base nos dados bancários que o Tribunal repassou ao Sindicato.

A JF, porém, não prestou essas informações – os próprios servidores registraram seus dados bancários no site do Sindicato. Por isso, quem estiver com dados desatualizados, deve fazer a atualização para receber o dinheiro de volta.

 




Entidades lançam consulta nacional sobre reformas e auditoria da dívida

Mais de 60 entidades, juntamente com a Auditoria Cidadã da Dívida, construíram juntos uma Consulta Nacional para ouvir o que a população pensa a respeito de quatro temas: Reforma da Previdência, Trabalhista, Privatizações e Auditoria da Dívida.

O Sintrajud faz parte desta iniciativa democrática, na qual todos e todas são chamados a participar e opinar sobre o que pensam dessas alterações que retiram direitos dos trabalhadores e privatizam setores essências para a população com o objetivo de priorizar o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

“Na raiz dos graves problemas que enfrentamos, a dívida pública que passa de 1 trilhão e consome mais de 45% das nossas riquezas só em pagamento de juros e amortização anualmente”, afirmou a diretora do Sindicato e oficial de justiça da JT Cubatão Lynira Sardinha. Na opinião da servidora, a Consulta Nacional cumpre o importante papel de conscientizar a população o tamanho dos ataques que o Governo Federal quer impor aos trabalhadores. “A participação nessa campanha ajuda difundir o tão importante trabalho da Auditoria Cidadã da Dívida e na conscientização deste assunto que o Governo insiste em manter numa caixa preta”, finalizou Lynira.

A consulta acontece até o dia 30 de junho. Para participar, você deve entrar no Site, responder as perguntas e preencher seus dados (Nome, CPF e Estado). Conheça o site, vote e divulgue!




Atos nos Fóruns convocam paralisação no dia 28 de abril

Avenida Paulista, no dia 15 de março: no “ensaio” para a Greve Geral, trabalhadores deram uma demonstração de que não vão aceitar reformas de Temer

Para barrar os ataques do governo de Michel Temer aos direitos trabalhistas e previdenciários, centrais sindicais, sindicatos e movimentos populares planejam um dia de greve geral com atos, mobilizações e paralisações em todo o país no dia 28 de abril.

O objetivo é construir um dia em que o Brasil pare, mostrando que os trabalhadores não vão aceitar o ataque feito pela reforma previdenciária aos direitos de aposentadoria e pensão, a eliminação de direitos históricos proposta na reforma trabalhista e a precarização do trabalho imposta pela nova lei da terceirização, sancionada pelo presidente.

A paralisação dos servidores do Judiciário Federal de São Paulo foi aprovada na assembleia geral que aconteceu no dia 26 de março, no final do 8º Congresso do Sintrajud. Além disso, algumas categorias como metroviários de São Paulo, eletricitários, estivadores avulsos do porto de Santos e os petroleiros do litoral Paulista também já aprovaram a paralisação no dia 28.

Para reforçar a convocatória dos servidores para a Greve Geral, o Sintrajud já começou a passagem nos locais de trabalho para conversar com a categoria. Na última segunda-feira, 17, o Sindicato passou em todas as varas da Justiça Trabalhista de Cubatão convocando os servidores para cruzar os braços no dia 28 em defesa dos seus direitos. Na terça, 18, servidores do Judiciário Federal participaram de um ato na Praia Grande, em conjunto com outras categorias de servidores públicos federais, estaduais e municipais contra as reformas.

Ato no Fórum Ruy Barbosa

Na quarta-feira, 19, os servidores da JT participam de uma manifestação no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa em defesa da Justiça Trabalhista, contra a Reforma da Previdência e a terceirização.

Jorge Luiz Souto Maior (Juiz do trabalho), Marcus Orione (Juiz Federal da 1ª Vara Previdenciária de São Paulo) e Roberto Parahyba (presidente da Associação Brasileira de Advogados Trabalhista – ABRAT), confirmaram presença no ato, que foi convocado pelo Sintrajud e pela Amatra-2.

Na opinião de Inês Leal de Castro, servidora da JT e diretora do Sintrajud, o ato é mais um passo para reforçar a convocatória para a Greve Geral de 28 de abril. “Esse é um ato de resistência aos ataques do Governo Temer, em particular, contra a Reforma Trabalhista que poderá causar o desmonte da Justiça do Trabalho, um ataque a direitos históricos dos trabalhadores e também à instituição”, afirmou.

A manifestação será às 13h, no Fórum Trabalhista Ruy Barbosa (Rua Marquês de São Vicente, 235).

Agitação em frente ao Pedro Lessa

Já os servidores da Justiça Federal e do TRF-3 vão fazer uma agitação na terça-feira, 25, às 13h, em frente ao Fórum Pedro Lessa. A categoria vai distribuir panfletos e convocar os servidores e a população para parar o Brasil no dia 28 de abril contra os ataques de Temer.

Baixada Santista

Em Santos, serão realizadas assembleias setoriais para convocar a Greve Geral. Na JF Santos, a assembleia será na quarta-feira, 19, às 12h. Já na JT, haverá panfletagem no dia 20 e a setorial acontece na terça-feira, 25, às 11h.




Volta à pauta PL da dívida dos estados que incentiva troca de servidor por OS

O governo federal tentará outra vez votar no Plenário da Câmara dos Deputados o novo projeto de lei referente às dívidas dos estados com a União, o que não conseguiu nas últimas três semanas. O PLP 343/2017 prevê contrapartidas por parte dos estados que aderirem ao programa semelhantes às que constavam no antigo PLP 257. A maioria é relacionada a restrições aos serviços públicos e ao funcionalismo.

O PLP 257 foi aprovado pelo Congresso Nacional em 2016, mas com alterações que excluíram a maior parte das contrapartidas e acabou sendo parcialmente vetado pelo presidente Michel Temer. O novo projeto, enviado por ele ao Legislativo em fevereiro, traz algumas novidades e uma delas é o item explícito de incentivo à terceirização por meio de organizações sociais privadas.

Esse ponto foi incluído na proposta pelo relator, deputado Pedro Paulo (PMDB-RJ), e coloca a contratação de organizações sociais para substituir serviços hoje prestados por pessoal efetivo do quadro no pequeno rol das exceções de permissões para novos contratos. No mesmo trecho, consta a autorização para que o estado contraia empréstimos destinados a programas de demissão “voluntária”.

A ameaça de contratação de organizações sociais e da terceirização hoje paira sobre o conjunto do funcionalismo público, inclusive na esfera federal. Aponta nessa direção a recente aprovação do projeto que permite a terceirização de todos os setores de uma empresa ou órgão público, inclusive a chamada atividade-fim. Outra decisão recente, dessa vez do Supremo Tribunal Federal, corrobora com os receios levantados por sindicatos quanto ao problema. O STF julgou ação de repercussão geral na qual considera que a administração pública não possui responsabilidade automática sobre passivos trabalhistas de empresas contratas por ela para prestação de serviços.

Alerta

O PLP 343 é considerado por críticos da proposta tão ruim ou até mesmo pior para o funcionalismo e os serviços públicos oferecidos à população que o PLP 257, muito criticado e contestado pelo movimento sindical no ano passado.

Para a auditora fiscal Maria Lúcia Fattorelli, da Auditoria Cidadã da Dívida, o projeto terá consequências graves sobre os serviços públicos e reflexos nacionais caso seja aprovado. Ela vem fazendo reiterados alertas aos sindicatos para que não se esqueçam dessa luta, diante de tantos outros ataques que os trabalhadores vêm sendo alvos do governo e do Congresso Nacional. “Ele está sendo apresentado como o projeto que vai suspender a dívida dos estados por três anos, mas à custa de quê? Privatização, fim dos concursos públicos, de [investimentos]”, disse.

Sessão plenária

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já tentou por duas semanas colocar o projeto em votação em abril, mas teve que retirá-lo por conta de um quórum baixo em Plenário. O projeto está na pauta da sessão desta terça-feira (18). São necessários 257 votos para que a matéria siga para o Senado Federal.

O texto que está em discussão é o substitutivo do deputado Pedro Paulo. Entre as condições impostas para redução integral e temporária das parcelas das dívidas com a União, está o congelamento de salários, a não realização de concursos públicos, exceto para reposição de vagas, o aumento da alíquota previdenciária para 14% ou mais, a possível instituição de taxas extraordinárias para a Previdência e a privatização de estatais.

A vigência seria por três anos, prorrogáveis por mais três. A proibição de aumentos salariais e reestruturações faz uma ressalva para o que está previsto no artigo 37 da Constituição Federal, a revisão anual dos salários. O problema é que essa revisão, em percentuais lineares para todo o funcionalismo, não vem sendo cumprida pelas administrações públicas há mais de uma década. Quando reajustes são concedidos, em geral é por meio de reestruturações de planos de cargos e carreiras ou gratificações – dois casos proibidos pelo texto do PLP 343 que pode ir a voto na Câmara.




Jornal do Judiciário – edição 560

Jornal do Judiciário – edição 560 – 18/04/17

Nenhum direito a menos




Na lista da Odebrecht, relator da Previdência anuncia parecer para esta terça, 18

O deputado federal Arthur Maia (PPS-BA) disse que vai apresentar o parecer sobre a Proposta de Emenda Constitucional 287/2016 nesta terça-feira (18). Relator da reforma que muda as regras da Previdência Social e pode tornar a aposentadoria inacessível para a maioria dos trabalhadores, Maia está na lista de parlamentares investigados pelo Supremo Tribunal Federal divulgada pelo ministro Edson Fachin.

A iniciativa de entregar o relatório nesta semana integra um operativo do presidente Michel Temer (PMDB) de forçar a aprovação da PEC 287 e tentar superar a resistência na base parlamentar à proposta. Também busca abafar o fato de governar com quase um terço de seus ministros na lista de investigados do STF, além dele mesmo ter sido citado nas delações.

O governo acena com alterações na proposta, embora mantenha a idade mínima de 65 anos para todos, e se empenha para criar um clima que supere a crise política e a perda de apoio no Congresso Nacional à reforma da Previdência.

Relator da PEC

O deputado é acusado por dois ex-diretores da Odebrechet, que fizeram acordo de delação premiada, de ter recebido por meios ilegais R$ 200 mil da empresa na eleição de 2010. O dinheiro não teria sido contabilizado na prestação de contas da campanha. Arthur Maia nega irregularidades e diz que prestou contas dentro das regras eleitorais, mas não dá maiores explicações sobre tais recursos, evita afirmar que não tenha recebido o dinheiro e tampouco consegue desmontar a acusação.

Segundo a delação tornada pública pelo Supremo, o ex-diretor da empreiteira Claudio Mello Filho disse ter sido procurado pelo então candidato, que solicitou ajuda para a campanha. Teriam sido entregues, então, R$ 250 mil a Maia, sendo que R$ 200 mil de forma ilegal.

O relator já vinha sendo criticado por ter recebido doações de bancos e empresas do mercado da previdência privada, como os R$ 299.972 doados a ele pela Bradesco Vida e Previdência em 2014.

Reunião na Páscoa

O presidente Michel Temer se reuniu, no domingo (16), com o presidente da comissão especial que trata da PEC 287, Carlos Marun (PMDB-RS), e com o relator para tratar da tramitação na Câmara. Também participaram os ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, da Secretaria de Governo, Antônio Imbassahy, e da Secretaria-Geral da Presidência, Moreira Franco.

É provável que o objetivo central da reunião no domingo de Páscoa tenha sido “fabricar” a notícia veiculada pela mídia comercial logo em seguida, que trazia a controversa afirmação de que os deputados disseram a Temer que as delações da Lava-Jato não afetam as votações das reformas.

Fica evidente haver muito blefe nisso. Não há como as delações não afetarem de alguma forma o funcionamento do Congresso Nacional. Mas o que também parece evidente é que Temer busca transformar o que é um problema para o governo – aprovar as impopulares reformas previdenciária e trabalhista sob tanto escândalo – em um trunfo para manter o apoio parlamentar e empresarial que seu governo desfruta, apesar da popularidade na lona.

Para isso, anuncia recuos em certos pontos, principalmente na regra de transição e na área rural, sem abandonar o que é mais central, duas mudanças que provavelmente excluem a grande maioria do acesso à aposentadoria: a fixação de 65 anos como idade mínima e a elevação de 15 para 25 anos do tempo mínimo de contribuição para que se tenha direito ao benefício.

Greve geral dia 28

A ausência de pesquisas por parte dos grandes institutos do ramo no país sobre a percepção do brasileiro em relação à reforma da Previdência já é, por si só, um indicador do tamanho da rejeição popular às propostas defendidas por Temer e por grandes empresários – liderados pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Faz poucos dias, pesquisa realizada pelo Vox Populi, a serviço da CUT, indicou que 80% da população maior de 16 anos do país rejeita a definição de 65 anos como idade mínima e de 25 anos como tempo mínimo de contribuição. É essa impopularidade da proposta, que ganha corpo com as manifestações e o movimento que se opõe à PEC 287, que a greve geral convocada pelas centrais sindicais para parar o país no dia 28 de abril contra as reformas de Temer almeja canalizar.




Praia Grande terá ato conjunto contra as reformas de Temer nesta terça, 18

Servidores do Judiciário Federal na Baixada Santista participam nesta terça-feira (18), na Praia Grande, de um ato conjunto com outras categorias de servidores públicos federais, estaduais e municipais contra as reformas da Previdência e trabalhista. Eles também vão protestar contra a ampliação irrestrita da terceirização, sancionada recentemente pelo presidente Michel Temer (PMDB).

O ato está marcado para as 10h em frente ao Fórum da Justiça Estadual. Às 11h, os servidores vão protestar diante da JT Praia Grande e às 12h, em frente ao Paço Municipal.

Além do Sintrajud (por meio da subsede Baixada Santista), participam da organização do ato o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Praia Grande, o Sintrajus e a Assojubs, que representam os servidores do Judiciário Estadual.

A manifestação faz parte da preparação dos servidores para a greve geral marcada para 28 de abril, que deve reunir trabalhadores de todo o país contra as reformas que atacam direitos e precarizam o emprego. Na capital paulista, já estão marcados atos dos servidores na JT Barra Funda, no dia 19, e no Fórum Pedro Lessa da JF, no dia 25.