“Atividade do Judiciário é mais que computador e internet”, defendeu psicólogo em live

Perito em Psicologia do Trabalho conversou sobre saúde mental e defendeu o fim da cobrança de metas durante o período da pandemia; próxima live terá o sociólogo Ricardo Antunes, na quinta-feira (9 de abril), às 11h, no Facebook, YouTube e aqui no site.

Para marcar o início da terceira semana em que os servidores do Judiciário Federal estão no regime de teletrabalho por conta da pandemia do coronavírus, a diretoria do Sintrajud convidou o psicólogo Bruno Chapadeiro, perito em Psicologia do Trabalho na JT, para participar da live que aconteceu na segunda-feira, 6 de abril.  Acompanhado pelos diretores do Sindicato Fabiano dos Santos e Luciana Carneiro,  o psicólogo debateu os desafios de manter a saúde mental em tempos de pandemia, confinamento e trabalho em ambiente doméstico.

O psicólogo ressaltou a situação, singular na história recente, que coloca boa parte da população em casa por conta da ameaça de um vírus. Apesar da necessidade do distanciamento, ninguém teve tempo para se preparar para o isolamento e o para o homeoffice. “O isolamento é um desafio, porque o estar sozinho sempre foi imposto como uma forma de punição, a exemplo dos castigos infantis e das prisões. Isto tem causado muita angústia para as pessoas e traz algumas problemáticas, como ansiedade”, afirmou Bruno.

Para o perito em Psicologia do Trabalho, além do isolamento e do fim do convívio social que o trabalho proporciona, a lógica da cobrança de metas do Judiciário também adoece. “Os servidores  tiveram que comprar seus notebooks, equipamentos, pagar internet mais cara para dar conta do trabalho, mas a atividade do Judiciário é muito mais que um computador e internet”, destacou o psicólogo.

“Não é possível cobrar produtividade já que não se tem as mesmas possibilidades e condições de trabalho que proporcionem essa produtividade”, disse Bruno Chapadeiro. “A cobrança de metas no ambiente do isolamento, muitas vezes, faz o trabalhador  sentir-se culpado pelo tempo de descanso que teria se não estivesse em teletrabalho”, conclui.

O diretor do Sindicato Fabiano dos Santos, servidor do TRT, lembrou que o Sintrajud vem pedindo a suspensão das metas durante a crise sanitária nos tribunais (veja matéria aqui). Na opinião da diretoria, as metas podem institucionalizar o assédio moral, considerando que nem todos os servidores possuem a estrutura para o teletrabalho e, muitas vezes, têm que conciliar seus horários com atividades domésticas e cuidados com os filhos.

“Trabalhar em casa gera, muitas vezes a dificuldade para as pessoas enxergarem a fronteira de onde começa o trabalho e onde começa sua vida doméstica, e o que a gente percebe é que muitos estão desenvolvendo problemas de saúde mental pela sensação de que não estão dando conta dos seus trabalhos, mesmo sabendo que não há condições de trabalho que possibilite isso”, afirmou Fabiano.

Para Bruno, a suspensão das metas é necessária, mas a solução para a manutenção da saúde mental precisa ser coletiva. “Nunca estivemos tão juntos, mesmo distantes socialmente. As videochamadas e experiência de bares online têm sido comuns entre amigos. Este é um elemento, mas vai além disso, é hora de vermos a importância da saúde pública e do SUS, das pesquisas nas universidades e dos sindicatos, que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores”, ressaltou o psicólogo.

Esta foi a nona live do Sintrajud, que adotou os bate-papos virtuais para  manter o contato com a categoria durante a quarentena. As lives acontecem sempre às segundas (17h30) e quintas-feiras (11h). Além dos debates temáticos, os dirigentes da entidade sempre informam o que vem sendo feito durante esse período para defender os direitos dos trabalhadores do Judiciário.

Sintrajud em ação #10

A décima live do sindicato acontece nesta quinta-feira, 9 de abril, às 11h. A convite da diretoria do Sindicato, o bate-papo virtual terá a presença do professor Ricardo Antunes, titular da Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, para debater os desafios dos trabalhadores no período de pandemia. Também farão parte do debate os diretores do Sindicato Fabiano dos Santos e Inês Leal.

A transmissão ao vivo será nas páginas do Sindicato no FacebookYouTube e no próprio site.

Veja a íntegra do bate papo com Bruno Chapadeiro: