Assédio Moral no Judiciário

No Serviço público em geral o assédio costuma aparecer de forma mais visível e marcante pelo fato dos assediadores não terem poder para demitir as vítimas. A existência de muitas indicações de chefias motivadas por laços de amizade, parentesco ou relações políticas – e não por qualificação técnica e preparo para o desempenho da função – é um importante elemento constituidor dessa situação que favorece o autoritarismo. Este tipo de chefe costuma escudar-se nas suas relações pessoais para esconder suas limitações e torna-se frequentemente autoritário e arbitrário, e não raro, busca “eliminar” de seu caminho aqueles de quem discorda ou de quem tenha receio de competição pelo cargo.

Por isso, muitas repartições públicas tendem a ser ambientes carregados de situações perversas.

Muitas vezes por despreparo do chefe ou pura perseguição, os trabalhadores passam a ser humilhados publicamente, sobrecarregados de tarefas inúteis ou “esquecidos” pelos gestores num canto sem fazer nada, para que se sintam forçados a sair do local de trabalho, por relotação ou por uma licença saúde.

Dentro do âmbito do serviço público, o judiciário é uma categoria que também possui um alto número de casos de assédio moral devido a característica estrutura hierárquica.

Além disso, com a implantação dos programas de “Qualidade Total”, “Modernização Gerencial”, das metas do CNJ, entre outros, as brechas para o crescimento do assédio aumentam em proporção direta às metas impossíveis.

Soma-se a isso a institucionalização da manipulação do medo, sob a forma de ameaças de retirada das FCs (funções comissionadas), a inexistência de um plano de carreira que possibilite progressão efetiva, formação constante e escolha mais adequada das chefias.

Há casos de colegas que se sentem coagidos a fazer tarefas pessoais para juízes (levar animais ao pet-shop, limpar piscinas, fazer compras), ou locais onde os trabalhadores são obrigados a ficar de pé quando entra um juiz no setor.

À revelia da lei, magistrados e chefes acusam os trabalhadores que resistem às posturas autoritárias, de desídia, desacato e até mesmo da prática de ilícitos penais.

Também são marcas do Judiciário a excessiva carga de trabalho, falta de pessoal, perseguições a quem usufrui licenças médicas, atribuição a trabalhadores de erros inexistentes, instruções confusas e agressões verbais.