A vida do trabalhador não pode esperar, defendeu Maria Lúcia Fattorelli

Os impactos da dívida pública sobre o orçamento da saúde e medidas efetivas para enfrentar a pandemia sem cortar salários foram parte do debate que aconteceu na manhã desta quinta-feira, 26 de março, transmitido na página do Sindicato no Facebook . As lives têm sido a iniciativa da diretoria do Sintrajud para manter o diálogo com a categoria no período de isolamento social. Hoje esteve presente a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lúcia Fattorelli.

A auditora fiscal aposentada da Receita Federal iniciou o debate pontuando que a solução para mais investimentos no combate à crise sanitária é a suspensão do pagamento da dívida pública, acompanhada de auditoria com participação de setores da população.  Segundo Maria Lúcia, esta medida liberaria cerca de  R$ 1 trilhão, que têm sido destinados ao pagamento de juros e amortização da dívida, para ser  aplicado no combate à pandemia.

Fattorelli ressaltou que a crise econômica não surgiu com a emergência sanitária provocada pelo coronavírus, mas entre 2015 e 2016, quando o PIB brasileiro caiu cerca de 7%, um nível comparado a países em guerra. “O que levou o Brasil a esta crise foi a política  monetária do Banco Central, que enxugou cerca de 20% do PIB, junto com aplicação de taxa de juros altíssimas. Enquanto o mundo inteiro estava com taxa zero, a Selic atingiu 14,25% e ficou neste patamar cerca de um ano, quebrando pequenas empresas, gerando mais desemprego e desonerando grandes empresas”, destacou. “Isto foi um suicídio. Ao invés de enfrentar esta política monetário o governo ainda deu desoneração fiscal para grandes empresas, provocando queda ainda maior na arrecadação”, disse a auditora.

O problema é agravado por um dos mecanismos usados pelo governo federal, chamado de sobra de caixa dos bancos. “Em média, cerca de 20% de tudo que é aplicado nos bancos fica retido no Banco Central para reserva de sistema. Uma operação parasitária, porque usurpa o nosso dinheiro nos caixas dos bancos e tira centenas de milhões de reais de circulação”, explicou. Ainda para a auditora, o mecanismo agudiza a crise financeira e permite que os juros aplicados sejam exorbitantes. ” Se para com este mecanismo, seria possível emprestar dinheiro com taxas de juros baixíssimas”, defendeu.

Ainda durante a live, a coordenadora da Auditoria Cidadã da Dívida destacou que para garantir o pagamento da dívida pública, os governos vêm retirando cada vez mais direitos dos trabalhadores, com a justificativa de buscar a saída para a crise. “A Dívida está no centro de tudo, Emenda do teto dos gastos, o pacote ‘Mais Brasil’, as contrarreformas e as privatizações, foram feitas com a justificativa de sobrar mais dinheiro para pagamento da dívida. Isso prova que se o recurso ficasse investido nas áreas sociais haveria um  multiplicador econômico”, afirmou Fattorelli.

A auditora esclareceu ainda que suspender o pagamento da dívida pública não prejudica empresários e a economia.” A auditoria não significa deixar de pagar, na verdade, vai segregar os detentores dos títulos, os investidores e os que estão usando os mecanismo do endividamento público, para dar o devido tratamento aos trabalhadores e pequenos poupadores”, disse.

O corte dos salários dos trabalhadores públicos ou da iniciativa privada poderá aprofundar ainda mais a crise e não resolverá o problema da pandemia de coronavírus, frisou Maria Lúcia Fattorelli. “Estamos diante de uma calamidade social e precisa de muito dinheiro para garantir abrigo para quem vive na rua, segurança para agricultores que não poderão parar, para garantir renda aos trabalhadores informais. E de onde virão esses recursos? Estamos diante de uma calamidade pública que está matando muita gente, quem pode esperar? O capitalismo ou o trabalhador? Estamos exigindo que o capital espere”, finalizou.

O Sintrajud integra o conselho político da Auditoria Cidadã da Dívida e contribui mensalmente com o projeto, conforme aprovado em assembleia geral. Para conhecer mais acesse ao site: auditoriacidada.org.br.

Veja o debate na integra aqui:

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