8º Congresso: Dirigentes sindicais convocam trabalhadores à luta unificada

Discursos defenderam a superação de divergências para preservar conquistas

A profundidade dos ataques do governo Temer às conquistas históricas dos trabalhadores impõe a necessidade de unificar as lutas de toda a classe, concluíram os representantes de entidades e dirigentes sindicais que discursaram na abertura do 8º Congresso do Sintrajud.

“Queremos neste Congresso construir um plano de lutas para enfrentar esses ataques”, disse Inês Leal de Castro, servidora da JT Barra Funda e diretora do Sintrajud.

“O momento é desafiador; não é hora de exclusivismos, porque os ataques são frontais para todos os trabalhadores”, acrescentou Ênio Mathias, servidor da JT Praia Grande e também diretor do Sintrajud.

Reinventar a luta

“Não estamos lutando contra a reforma da Previdência e sim contra o fim da previdência pública”, afirmou Márcio Alves, coordenador de base do Sinasefe. “Não estamos lutando contra um ajuste fiscal e sim contra o fim do Estado público – e isso já foi aprovado, é a PEC 55”, acrescentou.

Ele apontou a necessidade de os trabalhadores superarem o “sindicalismo de resultados” e pensar em novas formas de organização. “Temos de reinventar nossa luta, superar divergências e fazer uma unidade de lutas amplas”, ressaltou Alves.

O coro “greve geral, já!”, que encerrou a abertura do 8º Congresso, mostrou a disposição dos participantes para que essa paralisação ocorra já nas próximas semanas, em data a ser definida pelo conjunto das centrais sindicais.

Força do 15M

Para Joaninha Oliveira, da Secretaria-Executiva Nacional da CSP-Conlutas, o 8M, com a mobilização das mulheres, e o 15M, com atos unitários em todo o país e “passeatas enormes nas quais a população se incorporou”, demonstraram que “a greve geral está colocada para a ação”.

“Temos de nos agarrar à força do dia 15 [de março] para derrotar o que eles [governo e parlamentares] colocaram para nós nesta semana”, afirmou Silvia Ferraro, do Movimento por uma Alternativa Independente e Socialista (Mais), referindo-se à aprovação, na Câmara dos Deputados, do projeto que permite terceirizar qualquer ramo de atividade de empresas privadas e de parte do setor público.

Falando em nome do PSTU, o bancário Wilson Ribeiro destacou o simbolismo de se construir a greve geral no ano em que se completa o centenário da Revolução Russa, quando “os trabalhadores foram às ruas, fizeram uma grande luta, tomaram o poder em suas mãos e mostraram que é possível” um governo da classe trabalhadora.

Servidores do Judiciário

O oficial de justiça Neemias Ramos, lembrou que o Sindicato foi criado com a perspectiva de unidade dos trabalhadores. “Hoje vejo que, mais do que nunca, essa perspectiva novamente se impõe”, disse Neemias, que preside a Associação dos Oficiais da Justiça do Trabalho da 2ª Região (AoJustra). “Só vamos avançar se começarmos a trazer uma cultura de fraternidade que os sindicatos perderam nos últimos anos.”

O coordenador da Fenajufe Erlon Sampaio também falou do ponto de vista dos servidores do Judiciário Federal. “Na última greve que nossa categoria fez, enfrentamos os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e a mídia burguesa”, apontou. “Agora estamos dispostos novamente a enfrentar, com toda a classe trabalhadora, esse governo e esse Congresso corrupto.”