#15M: Estudantes e professores dizem não aos cortes na educação

Esta quarta-feira, 15 de maio, dia nacional de greve da educação, foi marcada por grandes manifestações em pelo menos 250 cidades brasileiras; protestos também fazem parte da preparação da greve geral em defesa da Previdência, no dia 14 de junho.

Ato em São Paulo reuniu 500 mil pessoas. Foto: Mídia Ninja

Com cartazes e faixas, centenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas nesta quarta-feira, 15 de maio, para protestar em defesa da educação e contra o corte de 30% no orçamento da educação, anunciado pelo governo Bolsonaro. Os atos marcaram o dia nacional de greve da educação e, segundo o levantamento publicado pelo jornal ‘O Estado de S. Paulo’, aconteceram em cerca de 250 cidades e em todas as capitais brasileiras.

A Campanha pelo Direito à Educação informou também à reportagem que houve atividades contra os cortes orçamentários em ao menos 500 cidades fora dos grandes centros. “Foi uma grande vitória, que representa uma mudança de patamar no debate público sobre a educação porque a sociedade reagiu. A gente não imaginaria que mais de 1 milhão e meio de pessoas iriam às ruas, e esse número deve ser maior porque em uma série de cidades, escolas e universidades houve atividades dentro das salas de aula, aulas públicas, debates no mesmo modelo da época das ocupações [de 2015]. E isso é importante ressaltar porque se tem pouca notícia disso, que essa foi uma mobilização muito interiorizada, o interior do Brasil debateu o 15M”, relatou o coordenador da Campanha, o sociólogo Daniel Cara.

Em São Paulo, a manifestação reuniu 500 mil pessoas, segundo os organizadores do ato. Os manifestantes fecharam a Avenida Paulista nos dois sentidos entre 13h30 até as 20h, e fizeram uma passeata até a Assembleia Legislativa. O ato era composto majoritariamente de estudantes e profissionais da educação, que seguravam cartazes com dizeres “Educação destrói mitos”, “Mais educação, menos armas”, “É greve porque é grave” e “Hoje a aula é na rua”, e cantavam “1, 2, 3, 4, 5, mil, ciência e educação são o futuro do Brasil”.

Os professores de algumas escolas particulares e das redes públicas municipal e estadual aderiram à paralisação de 24 horas contra os cortes no orçamento, alguns estavam acompanhados de alunos na manifestação. A professora da rede municipal Andreia Moura, em entrevista à reportagem do Sintrajud, destacou a gravidade da situação. “Os cortes não atingem somente as universidades, mas também o ensino básico. Eu fui estudante de escola e universidade públicas e estou aqui hoje porque quero que meus alunos tenham a mesma oportunidade que eu tive”, afirmou Andreia.

Foram comuns também cartazes de manifestantes revoltados com as declarações do presidente que afirmou que os protestos seriam feitos por uma minoria manipulada. “É natural, é natural, mas a maioria ali e militante. Se você perguntar a fórmula da água, não sabe, sete vezes oito, não sabe nada. São uns idiotas úteis, uns imbecis, que estão sendo usados de massa de manobra de uma minoria espertalhona que compõe o núcleo das universidades federais no Brasil”, afirmou o presidente Jair Bolsonaro em entrevista em Dallas, no estado do Texas (EUA).

Ao contrário do que afirmou o presidente, estudantes, professores e pesquisadores de universidades em todo o país fizeram grandes atos e paralisações. Em São Paulo, aconteceram manifestações em campi da USP, Unicamp, Unesp e Unifesp. Os estudantes da USP fizeram um ato no campus Butantã e andaram sete quilômetros para encontrar a manifestação geral na Avenida Paulista.

A próxima manifestação em defesa da educação está programada para acontecer no dia 30 de maio.

Greve Geral

Além da luta em defesa da educação, os atos que aconteceram em todo o país neste dia 15 foram parte dos preparativos para a greve geral em defesa da Previdência, convocada pelas centrais sindicatos para o dia 14 de junho. “O ato foi grandioso e renovou as esperanças de todo mundo para enfrentar todos os ataques que este governo quer impor à educação, à saúde, à segurança pública e à proteção social, e construir uma greve geral que pare o Brasil no dia 14 de junho”, afirmou Claudia Vilapiano, servidora da JF/Campinas e diretora do Sindicato.

O Sintrajud, junto com o Fórum dos Servidores Públicos de São Paulo, montou uma tenda durante o ato e foram colhidas 3055 assinaturas no abaixo-assinado contra a PEC 6-A/2019, da ‘reforma’ da Previdência.

Neste sábado, 18 de maio, acontece a Plenária Nacional Sindical e Popular, que também tem o objetivo de preparar a greve geral. O Sintrajud garantirá transporte do Sindicato até a plenária, que acontece na quadra do Sindicato dos Metroviários. Antes, os servidores do Judiciário Federal definirão como será a participação da categoria na greve geral em assembleia, a partir das 14h. Participe.

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