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Era Uma Vez
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Por Welington Liberato
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Mais uma vez a favela carioca é tema de filme nacional, só que, agora, o enfoque é o amor entre dois jovens: Dé, morador do Cantagalo, apaixona-se por Nina, habitante da Vieira Souto, um dos metros quadrados mais caros do país. O fosso social entre os dois insiste em separá-los e a violência paira como pano de fundo e senhor do destino desse amor. Breno Silveira investe na emoção e na simplicidade para construir uma história cujo tema - desigualdade econômica e social é bastante complexo e caro à sociedade brasileira. Talvez o filme não seja referência para o espectador se aprofundar na questão em si, mas, com certeza, ele será tocado pela história e pelas motivações dos personagens. Thiago Martins encarna Dé com muita sensibilidade, trazendo um pouco da história do próprio ator, também morador da favela, ao personagem. Ele é a alma do filme, ele é quem nos faz acreditar na história do casal, mesmo nos momentos mais improváveis e clichês. Uma das cenas mais emocionantes é quando Dé desabafa ao ex-namorado rico de Nina sobre sua condição de trabalhador, de vendedor de cachorro-quente. Nesse momento visualizamos os milhões de subempregados mal pagos, ignorados pela sociedade, sobrevivendo em moradias precárias pelo país. O final do filme tem causado polêmica. Alguns o acham fora do tom, exagerado. Não sou dessa opinião. Acho o final poético, emblemático, um pedido de socorro em nome do amor. Talvez alguns acusem Breno Silveira de ser ingênuo, simplista, mas acho que é o preço que ele paga para ser popular. Só não podemos acusá-lo de falta de talento. Breno sabe como contar uma história, como entrar nos corações dos espectadores mais resistentes. |
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Welington Liberato é servidor do TRE-SP e colabora com o Jornal do Judiciário enviando sugestões e críticas de filmes em cartaz no cinema.
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