28/01/2010 - 17h20

Governo gasta mais com juros do que com servidores

Estudo de economista mostra haver relação entre tentativa do governo de congelar salários e a garantia de recursos para pagar juros da dívida pública a banqueiros

Dados orçamentários mostram que a grande preocupação de deputados e senadores da base do governo no Congresso não deveria ser com o suposto aumento nas despesas com a folha de pagamento dos servidores, que pode acabar congelada caso o PLP 549/09 seja aprovado, mas com a elevação dos gastos com o pagamento de juros e amortizações da dívida pública.

É o que mostra estudo do economista Washington Lima, assessor de sindicatos do Judiciário Federal (Sintrajud e Sitraemg, entre outros), no qual constata que o aumento das despesas com pessoal foi menor do que o aumento com pagamento de juros e amortizações ou do que as despesas líquidas correntes da União. “Em 31 de dezembro, comparando os valores pagos em 2000 e em 2009, as despesas com o pagamento de juros cresceram 32,5% a mais do que as de pessoal, e as despesas correntes, em 44,77% a mais do que as remunerações”, afirma.

Segundo ele, o mais surpreendente é o crescimento dos chamados encargos financeiros da União – juros, amortizações da dívida e os prejuízos do Banco Central. “Elas saltaram de R$ 82,1 bilhões pagos em 2000 para R$ 380 bilhões pagos em 2009, até 31 de dezembro. Em 2009, há autorização para gastos de até R$ 448,3 bilhões, que ainda podem ser realizados. Ou seja, houve um aumento 362,75%, ou mais R$ 297,9 bilhões nos gastos da União com os encargos financeiros”, relata.

Tais despesas em 2009, afirma, equivalem a 2,3 vezes as com pessoal da União. A cobertura do prejuízo do Banco Central, que foi de R$ 98,1 bilhões, está autorizada na Lei de Responsabilidade Fiscal. “Dinheiro que, como se sabe, é para garantir a especulação financeira e os lucros dos bancos”, critica.

LRF autoriza despesas com especulação financeira
O projeto de lei patrocinado pelo governo que mexe na LRF não toca nesse assunto. Restringe-se a estabelecer limites mais duros para as despesas com a folha de pagamento, o que pode levar ao congelamento. Levantamento feito pelo economista mostra que se essa lei estivesse em vigor desde o ano 2000, os salários dos servidores teriam uma redução média de cerca de 25%. “Assim, não fica dúvida: a limitação dos gastos com os servidores foi criada justamente para que o pagamento da dívida da União e os lucros dos banqueiros e agiotas estejam garantidos, em detrimento da necessidade dos servidores e da população trabalhadora e pobre do país”, constata Washington.

A luta dos servidores do Judiciário Federal e do MPU pela revisão salarial passa, portanto, também pelo combate a esse projeto.

Por Hélcio Duarte Filho
Luta Fenajufe Notícias

Imprensa

© 2003 Sintrajud - Todos os direitos reservados
Sintrajud - Rua Antonio de Godoy, 88 - 16 andar - CEP 01034-000 - Tel.: (11) 3222-5833 - São Paulo / SP - Design: Depto. Imprensa