08/02/2010 - 18h43

Em ato, moradores da região do Jd. Pantanal culpam governos de Serra e Kassab pelas enchentes

Moradores dos bairros da capital paulista que estão alagados há 60 dias, em conjunto com algumas entidades como a Conlutas e o Movimento Terra Livre, realizaram um ato em frente à Prefeitura de São Paulo, nesta segunda, dia 8. No início do ato, a PM reprimiu a manifestação com gás de pimenta.

Os manifestantes permaneceram em frente à prefeitura, que ficou cercada pelos policiais, e denunciaram a situação calamitosa que estão enfrentando e responsabilizaram, além de Kassab, o governador José Serra (PSDB) pelas enchentes. Uma comissão de 20 pessoas foi formada para ser recebida pelo chefe de gabinete do prefeito. Os moradores exibiam faixas e cartazes exigindo indenização, com o seguinte critério: “uma casa pela outra”. “Querem derrubar nossas casas e o prefeito diz que está tudo bem, estamos há 60 dias na água e ele não faz nada, por que ele não vai passar um dia lá na nossa casa?”, disse Márcia Carvalho, moradora do jardim Romano, que segurava uma garrafa PET com a água retirada da enchente em seu bairro.

“Querem tirar a gente de lá por uma esmola, o bolsa-aluguel de 300 reais”, afirmou indignada. Ela perdeu todos os móveis, eletrodomésticos, e, há 20 anos no bairro, disse nunca ter visto uma enchente igual a essa. De acordo com os manifestantes, essa situação ocorreu porque o governo fechou as comportas da barragem da Penha, para não alagar a marginal do rio Tietê, e abriu a barragem de Mogi das Cruzes, provocando a enchente na região do Jardim Pantanal.

Pedro Araujo da Silva, morador da Vila Itaim, contou que a água não “desceu nenhum dia desde o dia 8 de dezembro”. Desde então ele está morando na casa da sogra com a família. Disse que também perdeu tudo e as paredes da casa estão rachadas. Segundo Pedro, sua casa vale 30 mil reais e ofereceram 2 mil reais pelo imóvel.”Há 30 anos nunca tinha visto isso, virou tudo um rio Tietê. Agora querem tirar todo mundo e fazer um parque, falaram que vão construir prédios pra gente continuar pagando os apartamentos”, afirmou.

Para o dirigente do Movimento Terra Livre, Ronaldo Delfim Souza, que mora no Jardim Pantanal, o governo Serra abriu a barragem para forçar a população a sair, pois pretende construir uma estrada que ligará a Marginal Tietê a Salesópolis e um parque para compensação ambiental.

O povo não pode esperar
Durante o ato, o senador Eduardo Suplicy (PT) falou que iria pedir uma audiência com o prefeito da cidade. Enquanto isso, os moradores gritavam: “Pergunte se ele consegue morar com um aluguel de 300 reais?”, “A gente não pode esperar, senador, enquanto isso o povo está debaixo de água”. Os manifestantes solicitaram também médicos e posto de saúde aberto 24 horas para atender às crianças, que estão adoecendo.

O tratamento da Polícia Militar também foi duramente criticado. “O povo que mora lá não é ignorante nem burro, a água que está lá não é só enchente e é com revolta e indignação que vejo o tratamento recebido pela PM”, disse Valdenor Pereira, morador da Vila Itaim.

O representante da Conlutas, o Gegê, também do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo, resumiu a situação: “Trabalhador não é bandido, a PM demonstra de que lado está”. Gegê também defendeu que o governo federal, que na recente crise disponibilizou bilhões a banqueiros para ajudá-los a recuperar seus lucros, agora se mobilize a ajudar essa população que perdeu tudo.

Da Redação do Sintrajud.

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