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22/05/2009 - 13h30
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Foices, fuzis, facões, vale a pena conferir
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O Teatro X é um rústico espaço na Bela Vista, que apresenta até 31 de maio “Foices, Fuzis e Facões” produzida pelo grupo Trabalhadores da Arte. A peça é uma adaptação do clássico Os fuzis da senhora Carrar, do teatrólogo alemão Bertold Brecht.
Ambientada no interior de São Paulo, a peça trata do drama de uma família maltratada pela miséria e mortalmente ferida na luta pela terra. Antônia, a mãe, de todas as formas tenta proteger o filho João do incerto futuro que a luta pela reforma agrária pode trazer; luta que já lhe tirou o marido, assassinado numa ocupação no Pontal do Paranapanema.
Diferentemente de Antônia, pensa Nina, sua filha, que vê no movimento pela reforma agrária uma luz de esperança para a pobreza que tanto as faz sofrer.
O drama da mãe é perceber a impossibilidade de futuro fora da luta política e engajada. De um lado ela tem a fome e o trabalho duro; do outro, a luta por um pedaço de terra e a possibilidade da morte.
Esse dilema é colocado em debate com a chegada do irmão de Antônia, Pedro, que participa da luta contra o latifúndio e foi buscar os fuzis deixados pelo cunhado assassinado.
Diferentemente de Antônia, Pedro é um sujeito racional e por ter (ou achar que tem) uma visão política esclarecida, fica insensível às dores e aflições da irmã.
Embora o drama seja familiar, a peça mostra como diferentes forças que compõem a sociedade influenciam e, até certa medida, determinam as ações políticas dos menos favorecidos. No espetáculo, os latifundiários da região usam o rádio para convencer os agricultores a não se engajar na luta, papel semelhante cumpre o padre, que também visita Antônia.
Após perder o marido, Antônia se entrega à igreja, que passa a influenciar sua “inércia” política, contudo, essa influência não é determinante.
A peça é bastante inteligente ao mostrar que mesmo Antônia e o Padre, sem estar “no movimento”, ajudam da maneira como podem, cuidando dos feridos ou das crianças, enquanto os pais vão às marchas. Porém, esse apoio silencioso não é o suficiente, a luta e a vida sempre exigem mais. Essa é a lição que Antônia, a duras penas, vai aprender.
Outras personagens tentam convencer Antônia para que ela apóie o ingresso de João no movimento, porém, como um objeto irremovível, rebate a todos os argumentos.
Mas a vida, com as reviravoltas de suas forças incontroláveis, faz Antônia perceber o quão barulhento pode ser o seu silêncio e o quanto pode ser doloroso não se engajar.
Os personagens são fortes, os atores são bons, a ambientação é legal, a atualidade do tema é enorme, o preço é acessível, enfim, entre todos os motivos que justificariam assistir a peça, finalizamos com um: o espaço da escolha de quem não tem escolha, na luta pela sobrevivência. Você pode não sair mais politizado da peça, talvez nem deva, mas com certeza sairá mais sensível à luta social.
SERVIÇO
Teatro X (da Cooperativa Paulista de Teatro)
Rua Rui Barbosa, 399 – Bela Vista – São Paulo
Fone: 3283-2780
De 18 de abril a 31 de maio
Sempre aos sábados, às 21h, e domingos, às 20h
Ingressos: 20 reais (inteira) e 10 reais (meia)
Para maiores informações acesse
http://trabalhadoresdaarte.blogspot.com
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