02/12/2009 - 20h19

Representantes do Sintrajud se reúnem com presidente do TRF-3

Na reunião, Marli Ferreira diz ser contra os Pls que congelam salários, mas que nenhum servidor pode ganhar mais do que um juiz.

Representantes dos servidores se reuniram com a presidente do TRF-3, Marli Ferreira, nesta quarta-feira (02), para reivindicar que a desembargadora interceda junto ao STF e acelere o envio o projeto de revisão salarial da categoria imediatamente ao Congresso. Os servidores também reivindicaram da desembargadora um posicionamento contrario aos projetos de lei que congelam os salários da categoria por dez anos.

A desembargadora disse não conhecer o conteúdo desses projetos (PLP 01, na Câmara; PLS 611, no Senado), mas que não concorda com o congelamento dos salários. Ela irá estudá-los e se dispôs a conversar com parlamentares para que ambos sejam retirados de pauta.

Os diretores do Sindicato Angélica Olivieri e Eliseu da Silva Trindade e a diretora de base Bernadete Souza, representando a categoria, também pediram o apoio da magistrada no diálogo com o STF para o envio do projeto que reajusta o salário da categoria. Eles argumentaram que a greve só está acontecendo porque as associações de magistrados interferiram na negociação e o STF engavetou o projeto.

Questionada sobre essa interferência, a desembargadora declarou que caso os servidores chegassem a receber mais do que um magistrado (mesmo que fosse uma minoria) haveria uma desestabilização da hierarquia no Judiciário. “Eu acho muito bom vocês (servidores) ganharem bem... mas os juízes têm que ter um tratamento à altura”, disse a magistrada.

“Não ficou claro qual é o tipo de ‘tratamento à altura’ que a desembargadora quer. O reajuste dos magistrados foi enviado em poucos dias ao Congresso. Os servidores estão negociando com o Supremo há mais de um ano e estão no 13º dia de greve só para pressionar o envio do projeto”, ironizou um servidor.

Apesar de considerar que um analista com 30 anos de carreira não possa ganhar mais do que um juiz há apenas um ano na magistratura, a desembargadora disse acreditar que o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, enviará rapidamente o projeto, pois, segundo ela, os magistrados valorizam seus servidores.

Dias parados
Os dias parados foi outro tema abordado pelos representantes da categoria. A desembargadora pontuou que uma decisão do Conselho da Justiça Federal (CJF), de segunda-feira (30), sinalizou a reposição dos dias parados aos sábados. Entretanto Cléber Borges Aguiar, diretor do Sintrajud, ressalta que os dias devem ser abonados, uma vez que a greve é um direito e a reivindicação é justa. “Estamos há um ano negociando com o Supremo e até agora nosso projeto está parado, estamos em greve somente por isso”, afirmou. Por isso, segundo Cléber, o Sintrajud irá recorrer desta decisão.

Passivos
De acordo com a presidente, ainda neste mês serão pagos passivos à categoria e aos magistrados. Mas Marli Ferreira disse não saber quais serão aqueles pagos à categoria. “Se depender da nossa disposição de mobilização, receberíamos todos os valores que nos devem”, argumentou uma servidora. O diretor do Sintrajud e da Fenajufe, Antônio Melquíades, o Melqui, ao ficar sabendo da notícia, começou sua campanha em Brasília para que os servidores recebam tudo o que é devido.

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