Lula corta orçamento, mas quer emprestar para o FMI
Por Washington Luiz Moura Lima*
Recentemente o governo Lula anunciou o corte no orçamento de R$ 25,4 bilhões.

Isso ocorreu a partir de uma estimativa do Ministério do Planejamento de diminuição na arrecadação de quase R$ 50 bilhões neste ano. Ou seja, mais cortes podem ainda vir, como por exemplo, a não aplicação dos acordos com o funcionalismo público.

A arrecadação federal está caindo. Mas não é só por conta da crise. Inúmeros setores empresariais estão recebendo fortes benefícios e isenções do governo, como a redução do IPI para as montadoras, e, mesmo assim continuam demitindo os trabalhadores.

Além disso, a dívida pública, consumiu entre pagamento do principal e juros R$ 79,2 bilhões em apenas 3 meses de execução do orçamento, sendo que está previsto um pagamento para o ano de R$ 233,3 bilhões, só âmbito federal, sem estados e municípios.

Fora isso o governo já havia direcionado mais de R$ 300 bilhões, para bancos e grandes empresários desde o início da crise.

Agora durante a reunião do G 20 Lula anuncia que vai fazer um empréstimo para o FMI.

Por acaso não foram às políticas ditadas pelo FMI de privatizações, desregulamentações, e, pagamento da dívida, que levaram o mundo ao caos econômico atual?

Será que beneficiar bancos e grandes empresários, não agrava ainda mais a crise?

No Brasil e no mundo as medidas até o momento anunciados só pioram a situação.

De algum lugar vai ter que se coberto o rombo criado. E, claro querem que os trabalhadores e a maioria do povo paguem por ela.

É isso que significa, por exemplo, os cortes no orçamento. Justamente aonde poderiam ser medidas efetivas para combater a crise, com a priorização dos recursos para a saúde, educação, segurança, e serviços públicos em geral.

O resultado dessa política é claro: o PIB brasileiro foi o que teve a maior redução desde o começo da crise, o desemprego aumenta e, a inadimplência também cresceu muito nos últimos meses.

Como vimos existem os recursos para salvar o país da crise.

Assim, os trabalhadores não podem aceitar o que está sendo feito, exigindo do governo Lula uma mudança drástica em sua política, anulando os cortes no orçamento, e garantindo que dinheiro público seja usado para o povo e não para os tubarões que são os responsáveis pela crise.
* Economista e coordenador do Departamento Econômico do Sintrajud-SP.

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