18 de Outubro de 2005 às 19h05

19 de Outubro: Dia Nacional de Luta e Paralisação no Judiciário Federal
 
CARTA ABERTA À POPULAÇÃO
 
Porque o Judiciário pára neste dia 19
 
Governo investe no ‘mensalão’ dos deputados e nos juros que alimentam os incessantes lucros dos banqueiros, enquanto esquece dos serviços públicos, desrespeitando servidores e a população
 
      Nós, servidores do Judiciário Federal em São Paulo, paramos por 24 horas nesta quarta-feira (19 de outubro), em protesto nacional que é parte da campanha salarial da categoria.
      Logo quando foi eleito, o presidente Lula prometeu investir nos serviços públicos, valorizar os servidores e, inclusive, repor as perdas salariais provocadas pelos oito anos de congelamento salarial impostos pelo antecessor - Fernando Henrique Cardoso. Mas, em 2003 o reajuste para o funcionalismo ficou em 1%. Em 2004, o “aumento” foi de 0,1% e este ano várias categorias ainda estão lutando e em greve pela reposição das perdas que somam mais de 18% desde que Lula assumiu a presidência.
      O investimento do governo Lula virou “mensalão” para comprar o apoio de deputados e partidos aos projetos do Planalto. Entre eles, a reforma da Previdência, que reduziu as aposentadorias dos servidores e manteve as suculentas aposentadorias dos deputados envolvidos em denúncias de corrupção que renunciaram a seus mandatos, como Roberto Jefferson (PTB/RJ) e José Genoíno(PT/SP). O “mensalão” também serviu para buscar apoio ao projeto que impôs o salário mínimo de 300 reais.
      E agora, o governo, o PT, partidos aliados e a ‘oposição’ de direita (PSDB/PF) preparam em Brasília mais uma “pizza” para encerrar as CPIs. Tudo com a omissão ou respaldo da cúpula do Poder Judiciário, que concedeu liminares a torto e a direito para réus confessos não serem presos.
      A falta de recursos para investir nos serviços públicos é causa, por exemplo, do número reduzido de servidores para atender demandas cada vez maiores, como observamos no Judiciário. Enquanto o governo paga religiosamente juros da dívida a banqueiros e prepara a reforma sindical-trabalhista para retirar direitos como férias, 13º salário e licença-maternidade, mantendo os privilégios dos patrões e banqueiros.
      Estes são alguns dos motivos que nos levam a parar. Lutamos para aprovar o projeto que revisa nosso plano de cargos e salários, por condições dignas de trabalho e atendimento e por uma Justiça democrática e acessível a todos.
      Atacar o servidor é atacar também o serviço público. E quem paga por isso é a população.

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