17 de Agosto de 2005 às 19h03

Tem dinheiro para o mensalão, mas não tem para o salário mínimo
      Em votação simbólica (apenas os líderes partidários participaram do processo), a Câmara dos Deputados rejeitou a proposta de aumento do salário mínimo para 384 reais que havia sido aprovada no Senado há duas semanas. Os deputados mantiveram o texto original enviado pelo governo com a proposta de estipular o mínimo em 300 (em vigor desde 1º de maio).
      O acordo costurado pelo ministro da Coordenação Política, Jacques Wagner, evitou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva efetivassse o anunciado veto ao reajuste do mínimo, numa manobra para tentar evitar mais desgaste ainda do governo em meio à crise do mensalão. No entanto, a população que tem acompanhado os últimos andamentos da crise política que atravessa o país já sabe da manobra.
      Enquanto deputados recebem mensalão para votar medidas contra os trabalhadores (e a votação de hoje não escapa dessa suspeita), o povo que vive do seu trabalho tem que se submeter a um ridículo salário mínimo de 300 reais. Este certamente está entre os motivos que levaram a marcha de hoje, contra o governo e suas medidas neoliberais, a ser maior que a manifestação governista de ontem.

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