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17
de Agosto de 2005 às 18h01
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Marcha leva milhares a Brasília no maior ato contra Lula
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Milhares de manifestantes ocuparam
o centro do poder político do país, nesta quarta-feira 17, na marcha
contra o governo Lula, o Congresso Nacional e a corrupção. Fizeram
o maior protesto contra o governo desde que estourou a crise do
mensalão, após denúncia da compra de votos e apoio de deputados
e partidos pelo PT.
A irreverência marcou o protesto, que percorreu os ministérios, contornou a Praça dos Três Poderes e terminou à tarde com um ato no gramado em frente ao Congresso Nacional. Já na concentração, pela manhã, um manifestante, vestindo uma fantasia que combinava Tio Sam e banqueiro do FMI (Fundo Monetário Internacional), 'provocava' os manifestantes ao oferecer 'dinheiro' que tirava de uma mala tipo 007. Na marcha contra o governo não houve dúvida: Lula não só sabia do mensalão como teria sido um dos mentores do esquema de compra de apoios de deputados e partidos. Era o que se via estampado nos adesivos, faixas, cartazes e palavras de ordem. O alvo central foi o presidente. "Lula vai ganhar uma passagem pra sair deste lugar, não é de trem, nem de metrô, nem de avião, é algemado num camburão. Ê governo ladrão!", foi entoado no início do ato. A marcha foi organizada pela Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), sindicatos, federações, entidades do movimento estudantil e popular. O Sintrajud participou enviando três ônibus. Servidores estiveram em grande número no ato e afirmaram que o governo beneficia banqueiros e empresários enquanto se recusa a negociar com o funcionalismo. Durante o ato político final, o PSTU afirmou que não há solução para crise pela via institucional que atenda aos interesses dos trabalhadores e lançou a palavra de ordem "Fora Todos", governo e Congresso corrompidos. "A alternativa só pode ser construída num amplo processo de mobilização social no país, que leve os trabalhadores a ter o controle direto do governo", afirmou José Maria de Almeida, o Zé Maria, presidente nacional do partido. Ele disse que é preciso redirecionar os recursos públicos. "O povo brasileiro trabalha muito, mas é para enriquecer os banqueiros". disse. A senadora Heloísa Helena (PSOL/AL) defendeu a realização de um plebiscito para que a população decida se quer antecipar as eleições gerais. "O povo tem que decidir", disse. O dirigente do PCB Igor Grabois também propôs uma consulta popular, esta para saber se as reformas aprovadas pelo Congresso "corrupto", da Previdência inclusive, devem ser anuladas ou não. Foi inevitável a comparação com o ato pró-governo realizado na véspera pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), UNE (União Nacional de Estudantes) e MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra). "É um dia histórico em Brasília, a marcha de hoje enterra o movimento chapa-branca de ontem", disse o deputado federal João Fontes, do PDT, partido que também participou do ato. Os organizadores avaliam que 20 mil pessoas compareceram à marcha. Quase 15 pessoas que acompanharam as duas manifestações afirmaram à reportagem deste jornal que a marcha contra Lula superou o ato pró-governo de terça-feira. "Hoje tem muito mais gente", afirmou o vendedor informal Cláudio Marinho dos Santos. Muito criticado, o ato da CUT e da UNE foi acusado de fingir atacar a corrupção. A marcha foi encerrada com o discurso do metalúrgico Luis Carlos Prates, o Mancha, que falou pala Conlutas. Ele fez um apelo à unidade e à construção de uma frente de esquerda que busque construir alternativas dos trabalhadores para crise. "Esta luta não acaba agora, é o início de uma jornada", disse. Nova manifestação já está marcada para o dia 31, em São Paulo. |
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(por Hélcio Duarte Filho, enviado a Brasília)
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