29 de Setembro de 2004 às 17h22

Íntegra do debate com candidatos do Judiciário é divulgada
O Sintrajud realizou no auditório da JF na av. Paulista, na quinta 23, debate com os servidores do Judiciário Federal candidatos a vereador nestas eleições. Da capital, participaram Ana Luiza, funcionária do TRF-3 e diretora da federação nacional (Fenajufe), que concorre pelo PSTU com o número 16.616, e Emerson Oliveira, candidato pelo PSDB (número 45.058), da 58ª Vara Trabalhista. Participaram ainda o oficial de justiça do TRF-3 Ronaldo Kanashiro, candidato pelo PV em Suzano, com o número 43.144, e o oficial de justiça da Trabalhista Anderson Alves, candidato em Cachoeira Paulista, pelo PT, número 13.200. A seguir aíntegra da transcrição do debate.

Íntegra do debate político entre os candidatos a vereador da categoria do Judiciário Federal, promovido pelo Sintrajud no dia 23 de setembro de 2004.

Mediador da mesa:
Hélcio L. Duarte - jornalista do Jornal do Judiciário.

Candidatos:
Ana Luiza (PSTU/ SÃO PAULO / TRF 3ª)
Emerson Oliveira (PSDB / SÃO PAULO/ TRT 2ª)
Ronaldo Kanashiro (PV/ SUZANO/ TRF 3ª)
Anderson Alves (PT/ CACHOEIRA PAULISTA/ JT

Hélcio - Todos os anos o sindicato vem abrindo espaço para os candidatos da categoria apresentarem suas propostas, que são divulgadas no jornal do sindicato e na página na internet. É importante esclarecer que o sindicato apenas está abrindo espaço para que os mesmos possam se expressar. Não significa um apoio da entidade a estas candidaturas.
O formato do evento será da seguinte forma, primeira parte: duas perguntas elaboradas pelo sindicato; segunda parte: um candidato escolhe outro para fazer a pergunta; e a terceira parte: abriremos as perguntas ao plenário.

>Hélcio - primeira pergunta: Por que a candidatura, e por que o servidor do judiciário deveria votar em sua candidatura?

Ana Luiza (PSTU/ São Paulo) - A minha candidatura e todas as candidaturas do PSTU tem como objetivo apresentar aos trabalhadores uma alternativa de esquerda, uma alternativa socialista, principalmente nesse momento em que a classe trabalhadora passa por uma eleição após um mandato de quase dois anos do governo Lula. Os trabalhadores depositaram uma enorme esperança no governo Lula e, particularmente os servidores públicos federais, nós do Judiciário Federal, vimos esse governo repetir a política do governo Fernando Henrique, do PSDB. E que gerou uma nova situação. Nesta frustração da classe trabalhadora com o partido dos trabalhadores, o PSTU se apresenta para fazer uma oposição de esquerda à Marta e à política que o PT está levando em todo país. E também se opondo às candidaturas de direita. Particularmente aqui em São Paulo, o PSDB de Serra e o PP de Maluf são as candidaturas da classe dominante. Em função dessa alternativa de classe socialista que o PSTU apresenta os servidores estariam votando no PSTU, um partido e um candidato a vereador a serviço das suas lutas. O compromisso do PSTU é com a luta dos trabalhadores, mesmo porque entendemos que a única coisa que muda realmente a vida de todos nós é a nossa luta, nossa organização. Os servidores têm nesse período de nossa existência, que é de dez anos, contado conosco nas suas lutas e através de seu voto, elegendo candidatos do PSTU, contariam conosco também nas instituições, hoje na Câmara de Vereadores para fortalecer cada vez mais a nossa mobilização, as nossas conquistas.

Emerson Oliveira (PSDB/São Paulo) - Eu me interesso pela política desde que eu tinha doze anos, eu me lembro quando o Fernando Henrique disputou com o Jânio a prefeitura, naquela época eu já fiquei triste do Jânio ter ganhado. Eu vejo na política muitos maus políticos. Há denúncias de esquemas de corrupção e isso é algo que precisamos começar a mudar, muito tem sido feito nesse sentido, mas muito há por fazer. Devido a isso eu sei que posso dar minha colaboração, eu posso ser um bom candidato, um político honesto no meio de tantos corruptos, eu sei que serei um bom vereador e irei trabalhar para o povo. Os meus projetos são voltados para as pessoas que mais necessitam. Eu sei que posso fazer minha parte, eu sei que a corrupção não vai acabar do dia para noite, há muitas máfias poderosas que é difícil de combater, mas eu sei que os trabalhadores do Judiciário devem escolher alguém que vá trabalhar por ele. Quem me conhece sabe do meu caráter, do que eu já fiz. Eu posso dizer que eu vou trabalhar desde o primeiro dia por mais justiça social, por isso que eu conto com o voto dos servidores do Judiciário, pois irão poder me cobrar. É importante você poder conhecer um vereador, não votar pela propaganda. Os projetos que receber, sendo bons, irei viabilizá-los.

Anderson Alves (PT/Cachoeira Paulista) - Minha candidatura surgiu de uma idéia antiga, assim como o Emerson. Em casa o meu avó era ligado à política, desde mais novo eu venho tomando gosto por isso e tive as melhores oportunidades na vida, oportunidade de estudar em escolas do estado, escolas boas, me formei na faculdade pública e eu tenho consciência do custo que há um aluno hoje estudando numa USP, na Unicamp, estudando numa escola federal. Eu tenho convicção que esse aluno formado, que não dá nenhuma contribuição para seu país, que desfrutou ali da carga tributária ao longo da classe mais humilde - ele desfrutou da criança que está ali passando fome - ele não retornar para a sociedade nenhuma contribuição, eu acho isso uma hipocrisia, acho isso uma falta de caráter, e por isso minha candidatura. Além disso, minha candidatura não é aqui em São Paulo, é no interior. Eu vivenciei e tive experiências aqui que com certeza podem alavancar o desenvolvimento econômica de um município pequeno como é o caso do município de Cachoeira Paulista, por onde saí candidato. A exemplo disso, Cachoeira Paulista não tem nenhuma página de internet, e o potencial de atividade econômica não é explorada como uma cidade tradicional. Uma cidade com mais de duzentos anos, foi uma locomotiva na época do segundo reinado e hoje parada no tempo. E por conta disso, é hora da gente "quem sabe faz a diferença", lembrando Vandré, quem sabe faz a hora, e minha candidatura é exatamente para isso, para fazer a diferença no município de onde eu vim, levar essa experiência para lá e de fato colocar Cachoeira Paulista no tempo atual. Com relação à categoria judiciária, por que os colegas deveriam votar em mim? Infelizmente os colegas não vão poder votar em mim, a não ser que tenha alguém que mudou o título de eleitor, mas com certeza o Judiciário é minha casa, tem uma pessoa na política que não nega suas raízes, é ter uma mão a mais para pegar as armas e lutar pela categoria, por isso minha candidatura.

Ronaldo Kanashiro (PV/Suzano) - Cumprimento o Jornal do Judiciário e o sindicato pela a abertura do espaço democrático, pois em Suzano não há espaços democráticos, principalmente para o cargo de vereador. As pessoas me perguntam por que quero ser candidato, e no início da campanha eu tinha uma resposta e com o tempo, vamos repensando e avaliamos que estamos malucos porque não é fácil fazer campanha... a gente paga muito pelos erros que cometeram no passado, dos políticos que prometem as coisas. Mas, como eu disse no Jornal do Judiciário, a minha campanha é fruto da indignação. Eu considero Suzano retrato do Brasil, Suzano é a décima quarta arrecadação de ICMS do estado de São Paulo, de seiscentos e quarenta municípios do estado, Suzano é o décimo quarto em arrecadação de ICMS, é uma cidade rica e quando a gente olha para índices sociais é uma lastima. No índice geral Suzano está na posição de trezentos e quarenta e seis, de seiscentos e quarenta e cinco municípios uma cidade rica como Suzano, quando você pega o índice de longevidade da população é vergonhosa a posição de Suzano, é seiscentos e dez. Então eu considero que a minha candidatura é fruto de indignação, a gente olha os vereadores em campanha, como a notícia fresquinha nos jornais, que quase dez vereadores tiveram seus mandatos impugnados, foram passear no Nordeste inventando um pretenso Congresso de Vereadores, superfaturaram as notas. Uma simples passagem de táxi duzentos reais... então contra isso a gente fica indignado, e vocês não imaginam como são feitas as campanhas em Suzano. São 160 mil eleitores e o coeficiente eleitoral gira em torno de nove mil votos, nós estamos entre os três do Partido Verde disputando a cadeira e pelo coeficiente faremos um vereador. A campanha é propositiva, é uma campanha totalmente diferente. Acima de tudo é pedagógica, a gente não faz campanha, a gente dá palestra. Imagina um lugar com cinqüenta pessoas, onde eu acabei de sair agora, com pessoas com o máximo do primário, levamos latões de coleta seletiva e no meio da campanha ensinamos projeto de gestão ambiental de resíduos sólidos, explicamos quais são as atribuições do prefeito e do vereador, porque às vezes não fica muito claro para as pessoas que os vereadores tem que fiscalizar a aplicação dos recursos públicos. Não consigo deslumbrar um candidato a vereador que não tenha em sua diretriz fiscalizar e lutar contra a corrupção, antes mesmo de fazer lei. Concluindo então, para em seguida apresentar minhas propostas, parabenizo os companheiros aqui por terem saído como candidatos, por que não é nada fácil, mas não podemos perder a esperança. Porque dá para mudar. O tema da campanha da gente é "Por uma política limpa".

>Hélcio - segunda pergunta: Uma análise sobre a gestão do governo do Estado Geraldo Alckmin e do governo Lula.

Ronaldo Kanashiro (PV/Suzano) - Irei começar pelo governo Lula, a gente tem sentido andando nos bairros que são duas coisas diferentes. Uma coisa é a popularidade do Lula e outra coisa é o governo em si. O Lula se mantém numa posição razoável de popularidade, mas a gestão em si é extremamente criticada pela população. É isso que a gente sente, na minha análise esperava mais. Eu não votei no Lula, mas esperava mais do seu governo. A gente fala com muita tranqüilidade porque o PV faz parte da base governista, apesar de ter um alinhamento rígido, temos tranqüilidade de criticar o governo Lula. Nós achamos que faltou coragem, faltou projeto para o país, pois projeto de poder tinha, tanto que chegou, mas projeto de país faltou. Faltou também ousadia do governo Lula de inovar e fazer uma política macroeconômica diferente, porque estão usando ainda a política de FHC, que é uma agenda velha para o Brasil de agora. E para não deixar de comentar o governo do Estado, a gente faz o seguinte comentário, já que a candidatura é para vereador: em Suzano quando ouvia falar de poder econômico, eu achava uma palavra muita abstrata, mas a gente está sentido o poder econômico do PSDB em Suzano. Com detalhe interessantíssimo: o candidato a prefeito pela partido do PSDB em Suzano, o cidadão chamado José Cardoso, que tem empresas com parceria com o irmão do Alckmin, a quantidade de dinheiro que está sendo despejado na cidade é um negócio fenomenal, é um absurdo. E uma postura que temos que ver o governador do Estado, como estadista, é uma postura que deixa muito a desejar. Esse cidadão José Cardoso é proprietário de inúmeras empresas, principalmente da empresa de aterro de lixo, e vergonhosamente acabaram de dar cento e vinte e três por cento de aumento para despejar o lixo na empresa. Imaginar que o governador do Estado apóia este tipo de candidatura, o governador tem assessoria e não é possível... você vai pesquisar as empresas do Zé Cardoso, são mais de dez ações ambientais, o irmão foi preso por falsificação de assinatura de juiz, o outro irmão está com mandado de prisão expedido por causa de falcatruas de associação assistencial. Nesse ponto a posição do governador deixou muito a desejar.

Emerson Oliveira (PSDB/São Paulo) - Irei começar falando do nosso governador criticado pelo Ronaldo Kanashiro. Eu vejo na figura do Geraldo Alckmin, figura de um homem público, integro, um político forte e a gente não vê nada que o desabone, pelo menos que eu tenha conhecimento de seu caráter, na sua honestidade. É um governo que tem avançado em várias áreas, tanto é que nessas eleições vemos que alguns anos atrás era só de segurança que se falava... isso não significa que não temos problemas, mas vemos que nesta campanha por exemplo se pegarmos a eleição de 2000, só se falava em segurança, e nesta não. Somente se fala na área de saúde e para educação o PSDB tem o projeto da escola da família, que serão abertas nos fins de semana, isso tem ajudado muito até na área da criminalidade. O jovem tem que ter área de lazer, temos vários projetos de distribuição de renda do governo do Estado. Enfim, teria várias coisas para destacar sobre o governo do Estado, mas preciso falar do governo federal. O Lula tem se mostrado muito despreparado para cuidar dos problemas do nosso país, vemos o exemplo desse fim de semana, fazendo campanha para a atual prefeita na inauguração de uma obra. Isso é grave, e na televisão hoje pediu desculpas, imagina se alguém comete um crime vai sair pedindo desculpa. Então são coisas que estão sendo apuradas, e lá fora ele passa uma imagem para os líderes mundiais... mas eu queria falar sobre a prefeita Marta, se pensarmos sobre o governo dela, vemos que ela começou a fazer as coisas agora. No ano de mandato com obras eleitoreiras, mesmo obras inacabadas, vemos que a maior obra que era o fura fila trocou apenas o nome para paulistão, investiu e gastou muito dinheiro e não fez nada.

Ana Luiza (PSTU/São Paulo) - Em relação ao Alckmin e o PSDB na minha opinião nós não avaliamos aqui o caráter a pessoa, o individuo. O correto é, além do caráter da pessoa, é avaliar qual é a política que ele representa. E o Alckmin representa a política do PSDB, que é a mesma política de FHC que foi o governo que na última década conduziu o país com uma política de atender o FMI e ao imperialismo, principalmente o norte americano, que é a política de privatizar. Nós como servidores públicos do Judiciário Federal teremos clareza dessa política de privatização, uma série de empresas públicas importantíssimas para o nosso país, foram privatizadas no governo FHC do PSDB, anteriormente com o Covas e mais recentemente com o Alckmin. Isso tem significado para o nosso país danos enormes para a nossa economia. Você privatizar as comunicações, a Eletropaulo, a Vale do Rio Doce. Toda a política que estamos vivendo é uma política que teve no PSDB de Alckmin, Covas e FHC o seu auge. De corte de salários, de arrocho, nós perdemos a nossa data-base, a política de privatizar a Previdência, descontar dos aposentados, tudo é uma política que iniciou com o PSDB. Essa política a classe trabalhadora nas eleições de 2002 se voltou contra ela, e elegeu Lula para mudar tudo isso. Infelizmente, o que temos visto no governo Lula e conseqüentemente no governo Marta do PT, é uma continuidade dessa política. O PT está aprofundando a lógica do PSDB, privatizando a Previdência, aumentando o superávit primário, que significa aumentar o pagamento de juros da dívida externa, aumentando os juros, beneficiando em seu governo os ricos. O governo que a classe trabalhadora elegeu para mudar a lógica do PSDB está mantendo essa lógica e se submetendo à política do FMI e, portanto, a aprofundando a miséria e os ataques a toda nossa classe. Então o que nos vimos do governo Lula é uma enorme frustração, a classe trabalhadora começa hoje a se indignar com o governo Lula. Ainda não é a grande maioria, Lula ainda tem um prestigio, o que tem haver ainda com sua história anterior, de dirigente sindical, de ter lutado contra esta política econômica. Mas hoje há uma enorme frustração, porque leva a política da classe dominante que se submete ao capital estrangeiro e nacional de uma forma vergonhosa.

Anderson Alves (PT/ Cachoeira Paulista) - Farei um breve apanhado da gestão FHC. Após a implantação do Real, houve um grande equívoco na gestão de FHC: na época das bandas cambiais sacrificou por demais o nível de reserva para segurar o real dentro das bandas, e isso na época do efeito "tequila", na crise da Turquia, e isso teve reflexo até hoje. Por conta disso, nós tivemos uma explosão da dívida brasileira, e hoje o governo é refém dela porque ainda não se consegue contorna e negociar, a exemplo do Lula estar colocando títulos e o risco país caindo. Mas isso comprometeu significativamente e acabou por consumir todos os recursos aliados por conta das privatizações, esse foi o grande erro de FHC. Por manter por uma vaidade ou por equivoco de avaliação de sua equipe econômica, manter o dólar um para um com o real, e depois dentro da banda cambial um e trinta, por isso da dívida do país representa muito mais que a metade do PIB, enquanto que na época era perfeitamente controlável. O governo Lula foi eleito dentro de um contrato extemporâneo, e acho que é extemporâneo falar desse antagonismo trabalhador x empresário, acho que a terminologia hoje é colaboradores. Não há espaço para esse antagonismo, as pessoas acabaram por olhar para o mesmo horizonte, não há mais uma política de RH, em que só trata as pessoas pelo departamento pessoal. Hoje é entendido como recurso da empresa o trabalhador e por isso colaborador. O Lula fez um contrato com os empresários de fato, ele fez uma frente ampla para ganhar essa eleição, senão não ganhava e não há o que se esperar que ele traísse o contrato que ele havia feito. Tanto é que seu vice é José Alencar, empresário também. Elegemos o Lula conscientes das propostas, está lá o plano de governo dele, não houve traição à classe trabalhadora. O segundo aspecto é que índice de popularidade dele continua ainda elevado, não só por isso, mas pela habilidade da equipe econômica que vem conduzindo o país, com a queda de desemprego, o crescimento do PIB. Sobre o governo do Estado, minha critica é ao PSDB que não tem critério na escolha e na formação dos candidatos a prefeito principalmente do interior do Estado, há um balaio, um catado, as pessoas querem se ligar ao PSDB, pessoas desqualificas fazem parte do quadro de candidatos do PSDB.

Hélcio - Nesta segunda parte do debate, um candidato faz uma pergunta e escolhe um candidato para responder em três minutos. Haverá um réplica de dois e uma tréplica de um minuto.

Ronaldo Kanashiro (PV) fará pergunta para Anderson (PT) - Gostaria de saber sua opinião da seguinte situação, um deputado estadual que é eleito com quarenta mil votos da cidade, por dois anos de mandato, ele agora concorre à eleição municipal para prefeitura. Mas com o seguinte detalhe: uma vez eleito esse deputado estadual, o deputado é Marcelo Candido do Partido dos Trabalhadores, atual deputado estadual por Suzano, gostaria de saber sua posição a respeito disso. De um candidato que é eleito com quarenta mil votos da cidade, e que agora no meio do mandato saí para disputar as eleições municipais, com a seguinte observação, Anderson, a cidade de Suzano só tem um deputado estadual, e uma vez eleito a prefeito Suzano não terá representante na Assembléia Legislativa, porque o suplente dele é de São Paulo. Gostaria que você tecesse um comentário a respeito.

Anderson (PT) - Essa questão envolve o peso que tem o Executivo em relação ao Legislativo. No âmbito municipal e no âmbito estadual o chefe do Executivo praticamente é um rei. De fato eu não fecho esse contra-senso dele abrir mão da candidatura dele ao mandato dele, e voltar para sua base. Porque, com certeza, se ele tiver pulso e firmeza, se ele tiver um alinhamento com o governo federal, tiver a seriedade que se espera de um candidato, ele vai poder contribuir muito mais com o município de origem dele. E um segundo aspecto é a questão da fidelidade partidária, nós não temos no Brasil o chamado voto distrital. Portanto, nós não temos deputados, vereadores e senadores do distrito, mas temos sim o deputado de São Paulo, um vereador de município, um senador do estado e a obrigação dele é olhar para todo o estado, ver a melhor política para todo o estado. Seria mesquinho da parte dele, havendo uma política pública, uma verba que tivesse um multiplicador, que beneficiasse uma região carente como por exemplo o Posto de Saúde de Suzano, ele reivindicar aquela verba para região dele, por que ele é um deputado daquela região, ao invés de fazer uma política mais necessária por conta desse papel que tem o chefe do Executivo. O contexto da legislação e da Constituição do Estado e a Constituição da República, eu entendo que ele pode atuar muito mais sendo um chefe do Executivo no município pelo qual ele está voltando hoje, haveria uma traição eleitoral dele se saísse de Suzano e se candidatasse ao Executivo de uma cidade vizinha, como uma cidade de maior expressão, seria sim uma traição ao eleitorado e às suas bases eleitorais. Como eu vivenciei no interior, tínhamos um deputado da região que abriu mão de sua candidatura e foi ser candidato de uma cidade vizinha onde poderia desviar mais verba. Nesse contexto não vejo contra-senso propriamente.

Ronaldo Kanashiro (réplica) - Quando uma pessoa é eleita a deputada estadual com quarenta mil votos da cidade, a circunstância de tiver que voltar não seria um reconhecimento de falta de liderança de outros lideres na cidade, por que dá impressão que o PT só tem uma pessoa, só tem o deputado. E o partido tem que ter outras cabeças, outras lideranças, mesmo sendo uma réplica tenho uma pergunta: se não seria um desprestigio, inclusive só elucidando o fato dele ter voltado criou uma crise institucional no PT de Suzano, em função de outras lideranças que queriam também sair candidato a prefeito.
Anderson Alves (tréplica) - Esse problema é um problema da legislação eleitoral. O candidato tem um capital eleitoral, ele se candidata e colocam o nome dele e ele vai fazer cadeiras no legislativo, ele é colocado ali temporariamente para chamar votos. Essa é a realidade da legislação eleitoral que é o sistema proporcional. Essa é a regra do jogo e os partidos colocam seus figurões, seus medalhões, estava colocando aqui antes de começar o debate, o caso do Enéias, o candidato se candidata com trinta votos para câmara dos deputados. Nessa situação o candidato tem o reconhecimento do trabalho dele naquela região, ele consegue chamar os votos naquela região, por que não colocar este candidato a serviço de um partido estruturado que representa uma ideologia e espera-se sim a coerência do partido das cadeiras que são formadas lá. Essa é a questão, por isso eu não acho um desprestígio, eu acho sim que numa cidade que tem um peso como Suzano ele não vai representar quarenta mil eleitores. As ações do executivo municipal com certeza são mais importantes do que no legislativo nesse contexto municipal.

Ana Luiza (PSTU) faz pergunta ao Ronaldo Kanashiro (PV) - Ronaldo, na fala do Anderson ele colocou uma afirmação que nós do PSTU temos total discordância. Na origem do PT fazermos parte construímos juntos fundamos, e o PT é por isso que ele tem esse nome Partido dos Trabalhadores, o partido que defendesse as bandeiras e a luta da classe trabalhadora. Na ultima década, particularmente em 90, inclusive em 92 fomos expulsos do PT por conta dessa contradição, o PT começa com essa visão de que é possível colaborar com os patrões e seguem fazendo uma aliança com os patrões. E é justamente para nós essa aliança com os patrões que fez com que o Lula transformasse o que era um sonho de mudança para os trabalhadores brasileiros, e a Marta também aqui em São Paulo, numa grande preocupação, porque na medida em faz um governo de colaboração com os patrões ele assume o programa e a política dos patrões. É possível governar para os trabalhadores e para os patrões ao mesmo tempo?

Ronaldo Kanashiro (PV) - Companheira Ana, me permita transpor esse cenário que você traçou agora para o município de Suzano, onde da mesma maneira que o governo federal, aconteceu esse tipo de aliança, esse tipo de simbiose estranha, que foge às raízes do partido dos trabalhadores. Em Suzano também temos 30 anos de governo extremamente conservador e ditatorial, nada lá é democrático e o candidato do Partido dos Trabalhadores acabou de fazer um estrito relacionamento com a classe patronal de Suzano. Foi se aliar a um dono de uma faculdade, umbilicalmente junto, atrelado, a esse governo conservador. Então um governo que se prega democrático, se prega respeitador da classe do povo, das causas do povo, chegou em Suzano e foi se alinhar com as forças dominantes da elite de Suzano. E mais do que isso, abraçou inúmeros secretários do governo municipal que faziam parte desta administração desastrosa do governo do PFL em Suzano. Eu não queria sair candidato, se o Partido dos Trabalhadores tivesse um grupo extremamente democrático, no grupo e não na pessoa, eu não sairia candidato. Mas o que a gente vê é esse tipo de procedimento em Suzano também, esse tipo de aproximação com pessoas que nada estão pensando na classe trabalhadora. E estamos sentindo em Suzano uma questão preocupante, um PT nada democrático do que diferentemente do que está acontecendo aqui, de haver espaço para debater, lá tem dono. Os espaços tem dono, os espaço que o PT está chefiando não abrem para os outros partidos. Tem dono, não é democrático. Você está me falando da expulsão agora, isso é desastroso para um partido que prega circuito democrático.

Ana Luiza (PSTU) - Bom, em nosso ponto de vista essa é a grande contradição que o PT está vivendo e dessa contradição, a partir dessa aliança com os partidos da burguesia, a partir dessas alianças através de um governo onde os principais ministérios foram dados para grandes representantes da burguesia, através de campanhas eleitorais onde você vê a Marta com o PTB e toda essa salada de fruta entre os partidos, o PT perdeu sua característica de um partido da classe trabalhadora, de trabalhador o PT só tem o nome. E essa é uma tarefa que o PSTU está dando para todos os candidatos e para todos os militantes que é de reconstruir uma classe trabalhadora, essa consciência que nós levamos duas décadas para construir, de um partido da classe trabalhadora defendendo suas bandeiras e uma central sindical, a CUT, que tivesse ao lado dos trabalhadores. Infelizmente o que estamos vendo é isso, tanto o partido dos trabalhadores como a CUT transformaram-se em colaboradores da burguesia, conseqüentemente subalternos e submissos e completamente contrários aos trabalhadores. Nós todos aqui servidores do Judiciário temos claro a quantidade de direitos que nos foram tirados, como a nossa aposentadoria integral, nossa data-base e uma serie de questões. O PT aplica a mesma política dos patrões. Isso é um desastre para a nossa classe e o PSTU está colocando a sua candidatura para essa principal tarefa que é de reconstruir uma alternativa para classe trabalhadora brasileira, que hoje está expressada nas greves e nas lutas. Não há como colaborar com quem nos explora e com quem retira nossos direitos.

Ronaldo Kanashiro (PV) - Dá para falar mal mais um minuto... eu concordo plenamente, eu sinto agora trazendo para o âmbito federal que faz muito tempo que não vejo uma traição como foi feito com servidores públicos. Apesar de toda a argumentação e a retórica do PT, falando que estava no plano de governo, esse tipo de reforma que tirou inúmeros direitos dos servidores públicos não estava nada claro. E se o FHC ao tirar inúmeros direitos dos servidores deu tiros pela frente, eu entendo que o PT deu uma facada pelas costas, por que nada disso estava combinado. Vamos ver qual será a performance do PT nessas eleições municipais.

Anderson Alves (PT) faz pergunta a Ana Luiza (PSTU) - Sobre a questão do PT e aproveitar o final da fala do Ronaldo, que temos que levar em conta primeiramente o contexto macroeconômico. O trabalhador custa hoje duas vezes e meia o seu salário para uma empresa, nós temos hoje uma população economicamente ativa entre trinta e seis e trinta e cinco por cento, cinqüenta por cento da nossa economia é informal e isto não é por acaso. O trabalhador custa caro, e nós precisamos de uma reforma trabalhista, tem de passar por uma reforma trabalhista, porque isto está encravando a competitividade do Brasil. O que é preciso? Uma política social séria, qualificação profissional, investimento no trabalhador. E isso em 500 anos de Brasil, 500 anos de PFL, 500 anos de Arena, que atrasou o país e esse é o ônus. A transição é dolorosa, mas é necessária. Não diria que é arrancar direito do trabalhador, não é isso não, muito pelo contrário. Mas é fazer uma política de longo prazo e o trabalho tem que começar em alguma hora. Mas a pergunta para Ana Luiza é de que forma ela imagina a transição do capitalismo estruturado para um sistema socialista, um sistema de ruptura com a propriedade privada, sendo que isto é das garantias da Constituição Federal, de que forma nós conseguiríamos operar isso, senão pela revolução.

* Houve problema na disposição das perguntas e o Anderson teve que fazer uma pergunta para o Emerson (PSDB) - Por que o PSDB não é mais criterioso na manutenção da máquina, ele não é mais seletivo quando para incluir em seus quadros candidatos a prefeito e ainda financiar, aproveitando a fala do Emerson, ele disse que o Lula fez propaganda para a prefeitura da Marta, participou de um programa eleitoral. Pasmem vocês, Geraldo Alckmin foi lá gravar junto com seus secretários ao candidato, fazendo propaganda aberta sendo que o papel institucional não é o governador dos municípios onde há PSDB, ele é governador dos mais de seiscentos municípios, seria de bom tom que ele fosse até o município com o mesmo apoio que está conferindo aquele candidato do partido dele, esse apoio, esse compromisso de mandar verbas e apoiar projetos devesse ser uma prática institucional.

Emerson (PSDB) - A diferença fundamental na participação do Lula na campanha da Marta e do Alckmin na campanha dos candidatos ao PSDB é que o presidente usou um evento de inauguração de obra pública, a legislação eleitoral proibi isso. Ou seja, Lula participou de uma inauguração na zona lesta, de uma obra que horas depois alagou, e Lula pediu voto para Marta na inauguração da obra. Se o Alckmin fizesse isso ele estaria errado, ele tem participado da campanha dos candidatos do partido, é uma questão de apoio e não é errado o Lula participar da campanha da Marta, demonstrar o apoio que ele tem à candidata, mas não fazer isso em uma inauguração de obra. A lei proíbe, tanto é que a Marta não estava na inauguração e nenhum candidato a vereador por que é proibido por lei, já tem uma consulta do PSDB junto ao Ministério Público Estadual para se apurar os eventuais crimes que tenham sido cometidos. Mas ainda não temos resposta, quanto ao critério na escolha dos candidatos cada cidade tem a sua política local e o PSDB é um partido muito grande e infelizmente de vez em quando vemos maus políticos no PSDB. Eu tenho contato com o pessoal que faz parte do conselho de ética do partido e quando há denuncias são apuradas e algumas pessoas são expulsas do partido. O critério é apurar denúncias de irregularidades, você mesmo Anderson pode fazer denúncias de coisas que você acha errada. Mas a questão da participação do governador ele tem que participar sim da campanha dos candidatos do partido dele, mostrando seu apoio de inconformidade com a legislação vigente, o que aconteceu com Lula na participação da campanha da Marta é diferente.

Anderson (PT) - Essa é uma questão formal, por que viria o presidente da Republica na inauguração de uma obra local, senão para dar uma força. O fato dele falar ou deixar de falar, pedir voto para sua candidata, é uma questão de forma. A presença dele já é um apoio aberto e declarado. A questão é que a imprensa em prol de um momento oportuno para promover este desgaste de uma candidatura, essa que é a primeira questão. O PSDB é uma dissidência do PMDB e vai sofrer se continuar assim. Ou vira no que a gente viu no PMDB o cacique da historia, um PMDB que teve Ulisses Guimarães, que tem hoje um Quércia, a gente vai ver essa situação acontecer no PSDB se os cuidados não forem tomados.

Emerson Oliveira (PSDB) - A questão da participação do Lula não é só da imprensa não. É uma questão que envolve se foi ilegal ou não, falou-se até na impugnação da candidatura da Marta. Não sei qual a possibilidade disso, vamos ver o resultado dessa consulta no Ministério Público Estadual. Agora do PSDB eu tenho conhecido políticos muito bons. Na semana passada mesmo nós tivemos um jantar com algumas lideranças e esteve presente o Dr. Walter Bareli (primeiro suplente a deputado federal), é um exemplo de vida pública desde a época que ele foi diretor do Dieese e ministro do Trabalho. Eu admiro muito os lideres do PSDB, e isso é uma das razões por eu estar ligado ao PSDB. Não só pela liderança, mas pelo programa também, que é da social-democracia e que eu acho que é algo interessante a ser considerado.

Emerson (PSDB) faz pergunta para Ana Luiza (PSTU) - Somos companheiros de várias lutas e hoje separados no campo ideológico, esses dias ela chegou e me disse: 'só acho que você escolheu o partido errado'. Mas eu vejo no programa do PSTU, a frase fica "Contra burguês vote 16", é uma frase marcante, como a nova agora "Peroba neles!". Eu sei o tempo na TV é mínimo, vemos falar da greve do Judiciário paulista, da greve dos bancários. Sei da ligação do PSTU no sindicalismo, mas sobre propostas nós vemos que nessa campanha a saúde é o grande tema. A prefeita abandonou a área da saúde. Eu gostaria de saber quais os projetos na área da saúde do seu partido.

Ana Luiza (PSTU) - O PSTU têm propostas para todas as áreas, municipal, estadual e federal. Como a democracia dos ricos é de fato uma ditadura, nós não temos um tempo que nos permita expor todas as nossas idéias. Então a gente coloca centralmente para os trabalhadores que, em primeiro lugar, para que a gente tenha saúde, educação e habitação é preciso que se tenha recursos destinados para todas essas questões. E que de fato foi orientação da política vigente no país, que é uma política implementada pelo governo Lula, mas que não é diferente do governo Alckmin, ou de qualquer outro governo que hoje esteja estabelecido em nosso país, de pagar os juros da dívida em dia, aumentar o endividamento público através da elevação dos juros. Que é do governo federal a definição dessas políticas de juros e uma série de outras questões e os municípios acabam por viver uma verdadeira agonia, que é o São Paulo vive, particularmente na saúde. Então com 50 ou 40 segundos nós procuramos esclarecer a população que não é possível ter saúde digna e educação com essa política que temos. Ou você paga os juros para sistema financeiro ou você investe em saúde pública. Então para nós a primeira coisa que temos que fazer é que ao invés da Marta pagar a dívida que já foi paga, essa é nossa opinião, é dobrar os investimentos na saúde. Segundo, ela tem que fazer uma política inversa à política que é implementada que é de privatização da saúde. Nós consideramos que tem que transformar em públicos os hospitais privados, tem que haver uma política de investimentos que é uma política de ampliação dos hospitais públicos, política de melhoria de salários para os servidores públicos da saúde. Porque o que acontece hoje é que não há investimento na saúde e nos salários e conseqüentemente a saúde está doente em nosso país e particularmente em São Paulo. A propaganda eleitoral da Marta e do PSDB é uma mentira escandalosa. É uma vergonha e um desrespeito à população você dizer que a saúde melhorou. Hoje até brincamos, um companheiro hoje num debate disse que a maneira como se passa na televisão o que vai ser feito ou o que já foi feito pelo Serra ou pela Marta as pessoas consideram que é uma verdadeira ilha da fantasia. Então é isso, ou você paga os juros ou você investe na saúde e na educação.

Emerson (PSDB) - A questão dos juros nós vemos que a prefeita deixou de fazer o pagamento dos juros, e ele passou de seis para nove por cento, mas ainda assim acho que é possível se fazer muito para a saúde e há muito que se fazer. A prefeita praticamente abandonou o programa do médico da família e isso era medicina preventiva. Nós vemos em muitos lugares onde este programa está dando certo e acho que aqui na capital, principalmente nas periferias, é possível a gente ampliar esse programa. Eu moro na periferia e sei das dificuldades do povo da periferia, porque são milhares que freqüentam os hospitais públicos e sei das dificuldades que temos nos postos de saúde na falta de remédio nos descasos dos médicos e na falta de médicos também. Eu tenho projetos para que se melhorem as condições de saúde na periferia, para as pessoas que mais precisam, com a ampliação do médico da família, com treinamento melhor para os médicos que podem trabalhar na periferia e terem mais condições de trabalho, mais incentivos. É um absurdo a forma que muitas vezes somos tratados nos postos de saúde. E o Serra fez sim muitas realizações concretas na área da saúde, são comprovados os mutirões que deram muitos resultados é por isso que ele foi considerado o melhor ministro da saúde que o Brasil já teve. E eu sei que ele vai fazer muito na área da saúde para a nossa cidade.

Ana Luiza (PSTU) - Eu acho que o Emerson não responde a questão que nós colocamos, com que recurso? É possível fazer uma série de modificações na saúde e na educação, nós temos um país que tem condições de riquezas e recursos suficientes para dar uma qualidade de vida para população digna, mas este país tem uma relação com o imperialismo, particularmente norte-americano, de total submissão. A maioria de nossa arrecadação é destinada a pagamento de juros, então de fato essa política de saúde que o Emerson fala que o Serra fez não existe a não ser no programa eleitoral. Porque a mídia, as comunicações, embora sejam concessões públicas, são dominadas pelos grandes empresários e financiadas pelos banqueiros. E constróem uma figura do que o Serra fez e o Serra não fez. E está absolutamente correto dizer que ele foi um péssimo ministro da Saúde, aumentou a dengue, aumentou várias epidemias que já não existiam mais durante administração Serra. Tudo mais é marketing e mentira que os meio de comunicação constroem.

Hélcio - Nesta terceira parte, vamos abrir perguntas ao plenário (uma pergunta para cada candidato) e as considerações finais.

Joel Andrade Teixeira (aposentado da Justiça Federal) - pergunta ao Emerson Oliveira (PSDB) - O problema é o seguinte, eu em 1975 era do Sindicato dos Aeroviários, e por esse motivo eu fui preso e fiquei mais de um mês na prisão. O que vou colocar gostaria da sua resposta e levar ao conhecimento do governador, porque não está pagando a indenização que temos direito conforme a lei 10.726, que foi aprovado na Assembléia Legislativa e tem mais de 1.000 processos aprovados na condição de anistia e não foram pagos. Então gostaria da sua opinião e gostaria de saber o que pode fazer, e como candidato o que é possível, até para ter algum voto e até a eleição pagar algumas pessoas que estão esperando receber alguma coisa.

Emerson Oliveira (PSDB) - Vou anotar e levar ao conhecimento do governador Geraldo Alckmin, para as autoridades do partido sobre essas indenizações. E como vereador, com essa proximidade com nosso governador, eu posso questioná-lo e depois eu passo ao senhor a resposta. Isso realmente foge do meu conhecimento para esse debate.

Joel Andrade Teixeira (aposentado da Justiça Federal) faz pergunta ao candidato ao Anderson Alves (PT) - Houve no dia 29 de agosto no plenário na Câmara dos Deputados em Brasília uma homenagem a todos os presos políticos do Brasil e lá na delegação que eu fui de São Bernardo, os comentários e as conversas do pessoal do PT era de que o Lula está no governo mas não está no poder, eu gostaria de saber se você também pensa desse jeito.

Anderson Alves (PT) - De fato o país não se governa sozinho, é um sonho autoritário acreditar que faz e desfaz e manda e desmanda. A composição do governo responsável tem que ser um governo plural, um governo que conversa ao mesmo tempo com a Fiesp, com a Força Sindical, com a CUT, com o partido dos aposentados e com as diversas entidades e instituições e a elite pensante do país. Esse é o propósito da democracia e é o espírito da democracia. Que eu saiba nenhum ser humano exceto Aristóteles conheceu e escreveu sobre todas as áreas. O Lula da mesma forma que ele tem suas pastas, seus ministérios, ele é assessorado e com certeza as informações chegam conforme o perfil da sua assessoria. O principal fator que está em debate aqui é a questão da dívida, o pagamento de juros inviabiliza uma serie de outras políticas, mas a questão da confiança em troca do perfil da dívida pode trazer os benefícios que estamos esperando e a tão esperada governabilidade. Por conta disso também a força do PT hoje na Câmara, nas prefeituras e no âmbito dos estados, essa é a minha convicção.

Rosangela (servidora do Banco Central) - faz pergunta para o candidato Anderson Alves (PT) - O Anderson na intervenção inicial colocou vários temas interessantes, e gostaria de esclarecer que não sou do Judiciário Federal e sim do Banco Central, e no semestre passado ficamos meses em greve juntos. Minha pergunta se faz em relação aos "colaboradores", e me estranha muito isso e gostaria que você explicasse melhor isso para nós, por que nós estamos fazendo uma greve bancária há nove dias no qual a reivindicação é de vinte e três por cento, que pega o reajuste da inflação e um índice de aumento de salário, e na primeira negociação na última quarta-feira eles não abrem mão de darem seis e meio por cento, dizendo que não tem como dar reajuste. E no mesmo dia a "Folha de São Paulo" dizia dos 61% de lucro que os bancos tiveram de empréstimos, isso sem falar o que eles cobram da gente de serviço. Então como a gente pode chamar esse pessoal de colaborador. E mais ainda me estranhou, é de conhecimento de todos, é público, a diretoria do sindicato, que majoritariamente é parte da corrente Articulação no qual o presidente Lula fez parte no movimento sindical, na assembléia defendeu este acordo e perdeu e a greve está ocorrendo apesar da direção ter indo contra desde o início. E a outra pergunta é a seguinte, o Meirelles, que é meu presidente, acabou de ser nomeado ministro pelo presidente Lula, em uma situação que até hoje eu não entendi. Exatamente para que ele não prestasse contas na CPI do Banestado. Então como podemos chamar essa gente de colaborador? Para mim eles seguem sendo no sistema financeiro, o setor patronal do qual a classe trabalhadora tem que estar antagônica. Eu gostaria de saber qual a sua versão quanto a sua proposição.

Hélcio - A pergunta deverá ser designada aos candidatos que ainda não responderam. Como o Anderson precisa fazer suas considerações finais agora porque vai sair, ele pode responder em um minuto.

Anderson Alves (PT) - Hoje o que se entende como recurso de uma empresa não é a máquina, temos que olhar historicamente o que aconteceu com o capitalismo. Ele passa da fase embrionária, ele saí do feudalismo, havia dívidas, corporação de ofícios, economia monetária para o mercantilismo e passa a ser moeda de troca, onde compra aqui e vende ali, há um simples deslocamento e esses são os burgueses que transportavam. Passasse ao capitalismo industrial, ganhava-se dinheiro e o mercantilismo era uma política de colônia, onde se garantia o mercado consumidor para vender, passasse ao capitalismo industrial ganhando dinheiro quem fazia a mercadoria e no final entramos na fase bem sabida do capitalismo financeiro. Isso é relevante, os bancos sangram o país, os bancos mutilam a renda nacional, mas nós passamos para o capitalismo financeiro. Hoje o capitalismo não é somente financeiro, o problema não é somente produzir o problema, é saber fazer o capitalismo, hoje é know-how, não é mais financeiro. Know-how não é máquina que detém, é a cabeça do ser humano. Portanto, o principal meio de produção é o homem sábio, que cria. A questão da gestão da qualidade, hoje quem inova está na frente, quem inova detém o poder, e não mais o foco no cliente e toda aquela coisa. Este é o conceito de administração moderna, foco na criação, foco no ser humano.
(consideração final) Foi um prazer discutir com vocês, num clima de conversa de bar, é bom falar das idéias da gente e é muito gratificante. Como o Ronaldo falou, a gente carece de espaços democráticos, mas carecemos também de platéia interessada.

José Roberto (líder comunitário) - Minha pergunta é mais geral, hoje em dia surgem outras correntes radicais contrárias à política federal, esses partidos se formam radicalmente e depois crescem e se tornam flexível, será que não seria importante fortalecer a social democracia.

Hélcio - Os dois candidatos podem responder às duas perguntas em três minutos.

Ana Luiza (PSTU) - Primeiro a nossa opinião em relação ao que a Rose colocou é que não se encerrou a contradição entre as classes. E nós tivemos com a queda do muro e a restauração do capitalismo nos estados socialistas, para nós estados socialistas degenerados (houve em um primeiro momento que a revolução trouxe na União Soviética grandes avanços políticos, sociais e históricos e esses avanços repercutiram no mundo todo, a revolução socialista na Rússia teve uma repercussão histórica para toda classe trabalhadora mundial, são posteriores a essa luta revolucionária e a essa conquista do estado operário soviético boa parte de todas as nossas conquistas e de direitos). Portanto, justamente com a luta socialista revolucionária soviética, que trouxe uma serie de conquistas para os trabalhadores, essa luta, infelizmente, por uma política que nós consideramos de traição já inicio do século passado de abrir mão da luta revolucionária para passar a colaborar, foi uma política que Stálin implantou na União Soviética. E começa retroceder as conquistas da classe trabalhadora já inicio do século passado. Para nós, embora tenha existido um retrocesso das nossas conquistas sociais e socialistas e a partir desse retrocesso começou a se elaborar uma nova teoria, em que teria se encerrado as contradições e que a luta de classe se encerraria, para nós isso não aconteceu. As contradições que construíram as grandes lutas no inicio do século passado permanecem hoje, até muito mais agravadas. Então toda a nossa luta em defesa dos nossos direitos dos servidores públicos federais reflete a manutenção dessa contradição. Os bancários que hoje estão em greve, estão porque o sistema capitalista continua tendo uma política de exploração e agora num ritmo muito mais acelerado. No século passado, com as grandes lutas e as grandes revoluções nós conseguimos o salário indireto que é o dito "estado de bem estar social". Nós tínhamos a saúde pública, a escola pública, além do salário e hoje temos um retrocesso no salário e fim da escola pública e da saúde pública. Então, pelo contrário, a contradição não só continua como aumenta e a social-democracia não é uma saída para isso. Ela mudou de lado, e só está implementando a política dos patrões, não é uma alternativa para acabar com essa contradição.

Ronaldo Kanashiro (PV) - Eu gostaria de levantar um aspecto sobre essa relação de empresa e governo. Por que nós em Suzano, trazendo para o âmbito municipal, estamos defendendo a criação de cooperativas. Em Suzano só tem uma empresa que recolhe lixo, portanto tem que pagar a prefeitura, na hora de tirar o lixo tem que pagar o lixão, esse sistema de coleta e depósito de lixo custa ao município seis milhões de reais. O que estamos defendendo em Suzano é a criação de cooperativas. Vamos fazer cooperativas nos bairros que vão fazer a coleta do lixo e a prefeitura paga. Em cada bairro uma cooperativa que vai colher o lixo, quando o lixo é mal recolhido você reclama para quem? A prefeitura e essa para a empresa de lixo. Mas no sistema de cooperativas é ao contrário, o cooperado é do próprio bairro, ele recolhe e recicla gerando emprego. Esse é um projeto que gera emprego, é um projeto que bate de frente com o interesse econômico da empresa de lixo que só tem uma. O cooperado recicla e ele vende gerando renda. Em Suzano esse sistema gera seis milhões para empresa - o dono da empresa gasta esse dinheiro em Suzano? Não, acaba gastando fora. Mas no sistema de cooperativas você paga o cooperado, e o dinheiro fica no próprio município, pois ele pega o dinheiro e vai na feira, no mercado e no salão de beleza do bairro, como isso gera movimento esses locais contratam pessoas para trabalhar, e conseqüentemente gera emprego. Por isso que olhamos muito desconfiados nos financiamentos de campanha, porque sabemos que nas eleições municipais o dinheiro vem das empresas do lixo e de transporte e eu concordo em dizer que não dá para olhar com muito bons olhos, dizer que são companheiros. Penso que depende dos interesses em jogo, em Suzano as empresas de lixo e de transporte estão financiando a campanha do PSDB e do PT. E nós solitariamente, desbravando na cidade, desenhamos o sistema de cooperativa de colher o lixo. Para concluir e para o senhor Joel transferir o seu título na próxima eleição, quanto a questão do senhor, referente às indenizações, é na Assembléia Legislativa e tem tudo haver com deputado estadual, mais do que com vereador. Em Suzano o deputado estadual eleito com 40 mil votos está largando para ir se eleger em Suzano a cargo de prefeito, se ele se eleger a cidade fica sem deputado. Imagina se o senhor fosse de Suzano era muito mais fácil o senhor reclamar sua reivindicação para o deputado estadual eleito pela base de Suzano, uma vez ele saindo da assembléia e indo para prefeitura de Suzano, e tendo um suplente de São Paulo, enfraquece e fica mais difícil.

Hélcio - Agora, um minuto para as considerações finais dos candidatos.

Emerson Oliveira (PSDB) - É uma pena que não temos o público esperado, e o debate sobre a política é muito importante por que muda vida das pessoas Quero agradecer esse espaço que o Sintrajud todo ano abre para que os candidatos possam apresentar suas propostas. Eu quero dizer que eu quero o voto dos servidores do Judiciário para uma cidade melhor, eu sei que podemos ter mais justiça social, eu tenho certeza de que eu vou me esforçar o máximo para corresponder a expectativa daqueles que me fizerem merecedores de seu voto. Eu tenho uma grande esperança de ser eleito, mas o político depende dos eleitores. Se vocês forem à rua onde eu moro, todas as casas da rua têm uma placa com o meu nome "esta família apóia Emerson Oliveira para vereador". Aqueles que me conhecem vão me dar este voto de confiança. Eu gostaria de aproveitar nas considerações finais e pedir o voto do servidor público federal, o seu voto de confiança à minha candidatura, com já foi publicado no Jornal do Judiciário as minhas propostas estão lá, como também o meu site: www.emersonoliveira.com.br, para analisar.

Ana Luiza (PSTU/São Paulo) - É mais um debate que temos em nossa entidade e o PSTU considera muito importante ter a possibilidade de falar mais uma vez com a categoria sobre as nossas propostas. E deixar claro que no nosso programa nós consideramos que é necessário que recuperemos a consciência de classe, que infelizmente o PT está abandonando. Nós acreditamos que os servidores públicos federais, particularmente do Judiciário Federal, precisam ter claro que não vai haver melhoria em nosso salário e nem em nossa cidade sem que haja uma ruptura com a política atual e que o PT não cumpriu esse compromisso histórico de melhorar as condições de vida dos trabalhadores. Com a política de um salário mínimo de 260 reais não é possível melhorar a vida dos trabalhadores do setor privado, com a política de voltar a taxar os aposentados do serviço público não é possível melhorar as condições de vida dos servidores aposentados, com a política de não respeitar nossa data-base não vai melhorar a nossa vida. E só vai melhorar a vida dos trabalhadores com o rompimento particularmente do pagamento de juros da dívida. E o PSTU considera que mudar a política nós só conseguiremos com luta e mobilização de todos os trabalhadores. Por isso o PSTU não pede somente o voto, pede que os servidores estejam conosco na luta, pois é a luta que muda a história e as nossas vidas.

Ronaldo Kanashiro (PV/Suzano) - Quero parabenizar o Sintrajud e o Jornal do Judiciário, eu venho da Justiça Estadual onde trabalhei cinco anos e não vi tanto grau de organização no sindicato de lá. O sindicato está de parabéns, e parabéns na luta de vocês e quero deixar a disposição no que eu puder ajudar para as lutas dos servidores. Eu aprendi que nas eleições temos que pedir voto e peço o voto do pessoal de Suzano. E é claro que na atribuição de vereador, onde temos limite, não se pode pedir pela reivindicação dos servidores federais no âmbito municipal, mas o que eu falo para os eleitores de Suzano é que eu não consigo imaginar candidato a vereador que não lute e que não combata a corrupção no desvio do dinheiro público. E, além disso, nós vamos lutar mesmo por leis que gerem transparência da gestão da coisa pública, isso é fundamental. Nós vamos procurar o orçamento de Suzano e não achamos. O vereador tem uma incumbência fundamental por lutar por lei de transparência, e mais do que isso iremos lutar com unhas e dentes pela democratização da gestão da coisa pública, não se consulta a população de Suzano para nada na aplicação e na gestão da coisa pública.
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