21 de Outubro de 2004 às 18h23

Bancários: TST determina não desconto dos dias parados e pagamento de abono
      A seção de dissídios coletivos do Tribunal Superior do Trabalho julgou hoje a contenda entre os bancários de um lado, e os banqueiros e o governo federal de outro. No resultado final, mais uma vez a heróica greve de 30 dias realizada pela categoria em 24 estados do país - contra as direções sindicais, os banqueiros e o governo federal - mostrou-se correta e obteve conquistas importantes.
      O TST fixou em 8,5% o reajuste dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal sobre os salários de agosto deste ano, o piso salarial e demais benefícios. Os empregados que ganham até R$ 1.500,00 receberão uma complementação de R$ 30,00. Também foi fixado um abono de mil reais, a ser pago até dez dias da publicação da sentença normativa. Essa proposta já havia sido apresentada nas duas audiências de conciliação, mas os banqueiros se negaram a negociá-la.
      Para o bancário e sindicalista Dirceu Travesso, "esse julgamento foi mais uma grande derrota do governo e dos banqueiros. É óbvio que os banqueiros poderiam ter dado muito mais, mas tendo em vista a pressão política sobre o Tribunal, que envolve a questão da política econômica, os mil reais a mais de abono são uma resposta categórica contra intransigência governo e dos banqueiros".
      Por unanimidade, também ficou decidido que o Banco do Brasil - que havia descontado cinco dias dos salários do mês de setembro - terá de devolver o desconto e pagar a metade dos dias parados (15 dias). A outra metade será compensada pelos funcionários de acordo com o acerto que funcionários e direção do BB deverão buscar.
      No caso dos bancos privados, o reflexo da decisão do TST para os bancos públicos também pode favorecer a categoria. O índice aprovado pelo tribunal superior é o mesmo que estava sendo oferecido pelos banqueiros em geral. Ainda segundo Dirceu, os bancários nos bancos privados pedirão a extensão do abono salarial. "Também para os bancos privados, o abono de metade dos dias e a determinação de negociação de como será feita a compensação do restante da greve é uma derrota contundente de quem queria impor o desmonte do movimento como já tinha sido tentado nos bancos públicos [o governo e os bancos do Brasil e CEF]", avalia Dirceu.
      "A categoria teve uma grande vitória política frente à 'santíssima trindade' - os banqueiros, o governo as direções sindicais. Saímos mais fortalecidos para, no próximo período, buscar a reposição das perdas, lutar contra as reformas sindical e trabalhista e construir uma grande unidade do conjunto da classe trabalhadora para defender direitos e salários", conclui o sindicalista.
      Nesta sexta-feira (22), em vários estados a categoria vai realizar assembléias para avaliar a decisão do TST.

Com Agência de Notícias do TST

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