02 de Setembro de 2004 às 17h15

TRF diz que câmeras não filmaram servidores, mas não revela quem as instalou
      As informações dadas ao sindicato pela administração do Tribunal Regional Federal da 3ª Região não foram suficientes para afastar a suspeita de que servidores estariam sendo alvos de espionagem. Na reunião entre a administração e o sindicato, que aconteceu na terça-feira 23, o diretor-geral, Gilberto Nunes, admitiu a existência das microcâmeras escondidas, mas negou que tenha existido por parte da administração determinação para espionar servidores.
      Ele disse que as câmeras instaladas em alguns setores visavam a coibir furtos de materiais e equipamentos, que vêm ocorrendo no TRF. "O que aconteceu é que nós tivemos furtos e aí passou a ser feito o monitoramento dos ambientes, do almoxarifado [um dos locais onde uma microcâmera foi localizada]", explicou.
      Segundo ele, no 12º andar da Torre Beta "as coisas não foram feitas da forma como se deveria", comunicando aos funcionários sobre o monitoramento dos setores. "E no conjunto dessas ações [para coibir furtos] acabou tendo a instalação de algumas câmeras, que talvez não tenham caminhado na forma que deveria, que era informando às pessoas", disse.
      Categórico, afirmou: "Se houve desconforto do pessoal por ter encontrado algum aparato lá, o que a gente pode afirmar é que em nenhum momento foi monitorado o pessoal que estava no ambiente de trabalho". E alegou que as filmagens ocorreram fora do expediente.
      A administração não soube responder quem instalou as câmeras, sob determinação de quem, para onde estavam sendo geradas as imagens, quem as estaria monitorando e qual a finalidade. Também não disse o motivo de as microcâmeras, alegadamente instaladas para identificar furtos, terem microfones acoplados.
      Diante das dúvidas que persistem, os servidores solicitaram a instalação de uma sindicância para apurar o caso e a divulgação de um comunicado aos funcionários informando que não houve intenção de praticar espionagem. Ambos os pedidos foram negados.
      O diretor-geral não confirmou, nem negou, a informação de que o diretor da Subsecretaria de Material e Patrimônio, Claudio Salles, teria admitido a servidores a responsabilidade pela instalação das microcâmeras. Procurado pela reportagem deste jornal para se pronunciar sobre o caso e os furtos que teriam ocorrido no TRF, Salles não quis falar: "Como já disse, tudo é com o diretor-geral".
(da Redação do Jornal do Judiciário)
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