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As informações dadas ao sindicato pela administração do Tribunal Regional Federal da 3ª Região não foram suficientes para afastar a suspeita de que servidores estariam sendo alvos de espionagem. Na reunião entre a administração e o sindicato, que aconteceu na terça-feira 23, o diretor-geral, Gilberto Nunes, admitiu a existência das microcâmeras escondidas, mas negou que tenha existido por parte da administração determinação para espionar servidores.
Ele disse que as câmeras instaladas em alguns setores visavam a coibir furtos de materiais e equipamentos, que vêm ocorrendo no TRF. "O que aconteceu é que nós tivemos furtos e aí passou a ser feito o monitoramento dos ambientes, do almoxarifado [um dos locais onde uma microcâmera foi localizada]", explicou.
Segundo ele, no 12º andar da Torre Beta "as coisas não foram feitas da forma como se deveria", comunicando aos funcionários sobre o monitoramento dos setores. "E no conjunto dessas ações [para coibir furtos] acabou tendo a instalação de algumas câmeras, que talvez não tenham caminhado na forma que deveria, que era informando às pessoas", disse.
Categórico, afirmou: "Se houve desconforto do pessoal por ter encontrado algum aparato lá, o que a gente pode afirmar é que em nenhum momento foi monitorado o pessoal que estava no ambiente de trabalho". E alegou que as filmagens ocorreram fora do expediente.
A administração não soube responder quem instalou as câmeras, sob determinação de quem, para onde estavam sendo geradas as imagens, quem as estaria monitorando e qual a finalidade. Também não disse o motivo de as microcâmeras, alegadamente instaladas para identificar furtos, terem microfones acoplados.
Diante das dúvidas que persistem, os servidores solicitaram a instalação de uma sindicância para apurar o caso e a divulgação de um comunicado aos funcionários informando que não houve intenção de praticar espionagem. Ambos os pedidos foram negados.
O diretor-geral não confirmou, nem negou, a informação de que o diretor da Subsecretaria de Material e Patrimônio, Claudio Salles, teria admitido a servidores a responsabilidade pela instalação das microcâmeras. Procurado pela reportagem deste jornal para se pronunciar sobre o caso e os furtos que teriam ocorrido no TRF, Salles não quis falar: "Como já disse, tudo é com o diretor-geral".
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