Jornal do Judiciário - Edição nº 306 - 13/Fevereiro/2008 - Página 4
LUTA CONTRA O ASSÉDIO MORAL
Pesquisa do Sintrajud aponta: 30% da categoria sofre ou já sofreu violência moral
Pesquisa mostra que três em cada dez servidores sofrem ou já sofreram assédio moral, e grande maioria sabe o que é a prática
* Sindicato inicia campanha para combater esse mal
Por Adriana Delorenzo
Os resultados da pesquisa sobre assédio moral realizada entre a categoria foram concluídos. A pesquisa baseou-se em questionários respondidos pelos servidores do Judiciário Federal, da capital e do interior do Estado, distribuídos pelo sindicato durante junho e julho de 2007. O objetivo era investigar a existência do assédio moral nos locais de trabalho.
A pesquisa revelou que 98% dos entrevistados sabem o que é assédio moral, 85% acham que existe assédio no Judiciário Federal e 76% deles afirmaram que já presenciaram algum tipo de assédio moral no local de trabalho. Dentre os entrevistados que presenciaram as situações, 78% disseram terem sido vítimas de assédio, o que representa 30% do total de servidores. A pesquisa utilizou uma amostra de 761 entrevistas e a margem de erro dos resultados é de 3,4% para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%.
      Para Genilda Alves de Souza, psicóloga responsável pela pesquisa, realizada pela Huno Consultoria & Treinamento, a porcentagem de vítimas é “escandolosamente alta”. “O índice de quem sofre, além de ser alto, é público. É um estado permanente de assédio, um problema disseminado tanto pelos que sofrem, como pelos que presenciam”, afirma.
      A pesquisa apontou também quem são os principais assediadores. Para 65% dos entrevistados, o chefe é quem mais pratica assédio moral, seguido por um colega em 23% dos casos, e pelo conjunto dos colegas em 19%. As formas de assédio mais freqüentes são desmoralização junto aos colegas, ameaças profissionais e pessoais e impedimento de se expressar. A maioria (51%) dos entrevistados que é vítima de assédio acredita que o assediador tem consciência do mal que faz. As vítimas disseram que procuram dividir a situação com os amigos (74%), com a família (75%) ou com uma pessoa do departamento (53%). A íntegra da pesquisa contendo os resultados estará disponível no site do sindicato (www.sintrajud.org.br).

Campanha contra o assédio é retomada pelo sindicato
      Diante dos resultados, o Sintrajud retoma a campanha contra o assédio nos locais de trabalho.
      O tema também foi pautado na federação (Fenajufe), que já iniciou uma campanha nacional. A diretoria do sindicato está distribuindo a cartilha da federação, por setores, pois não há exemplares suficiente para todos os servidores.
      O sindicato prepara uma cartilha para ser distribuída na categoria, contendo informações e orientações para combater a prática. Além disso, palestras tratarão do assunto, inclusive no 5º Congresso do Sintrajud, que ocorrerá de 14 a 16 de março.
      “A solução para o assédio não é individual. É cada vez mais claro que o assédio está enraizado na instituição e a solução deve envolver os servidores, chefes, juízes e, principalmente, as administrações dos tribunais. Com a campanha, queremos inibir definitivamente esta prática”, ressalta o diretor do Sintrajud e da federação nacional (Fenajufe) Claudio Klein

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