JORNAL DO JUDICIÁRIO N° 195
01/Novembro/2004
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OPINIÃO DO SINTRAJUD

Herzog, Lula e o STJ
      O caso das supostas fotos do jornalista Vladimir Herzog, cuja autenticidade da informação ainda segue indefinida, nos revela que dentro das Forças Armadas o golpe militar de 1964 e a ditadura dos generais ainda são vistos como atos patrióticos e legítimos.
      É o que nos mostra a primeira nota do Centro de Comunicação do Exército, no que pese a posterior retratação do comandante da instituição, feita sob pressão do Planalto.
      Nela a atuação dos militantes de esquerda que lutavam pelo retorno da democracia é vista como subversiva, no sentido marginal da palavra, enquanto o governo ditatorial e inconstitucional dos generais é qualificado como legal e legítimo. A repressão atenderia ao clamor popular.
      O mais importante no caso não é se as fotos são de fato dos últimos momentos do jornalista assassinado pelos militares no dia 25 de outubro de 1975. Mas a forma como as Forças Armadas lidam com o que aconteceu no passado e o veto ao possível resgate da verdade.
      A anistia permitiu a libertação de presos políticos, o retorno ao país dos cassados pelo regime e, de certa forma, a impunidade para os autores das atrocidades praticadas pelo regime. Mas o direito à verdade não foi negado pela anistia, e sim pela resistência da cúpula do comando militar. As posições assumidas pelo governo Lula, que aceitou decreto da administração do presidente Fernando Henrique Cardoso que permite o sigilo eterno para documentos considerados ultra-secretos, não contribuem para mudar isto.
      Lamentáveis, ainda, as declarações do presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Edson Vidigal. Ele afirmou que estas questões já estariam “sepultadas” e que anistia “é esquecimento”. É ponto de vista no mínimo curioso para alguém que preside um tribunal de justiça e que deveria ter compromisso com a busca da verdade - aliás, depois de defender a demissão de grevistas na Justiça Estadual de São Paulo, Vidigal consolida um perfil conservador no STJ. É também posição insustentável diante dos parentes de vítimas da ditadura, que permanecem tendo negados não só o acesso à verdade dos fatos ocorridos, como aos restos mortais de seus entes queridos. Por isso, ministro, jamais esqueceremos o que se passou.

CARTAS E EMAILS

Dúvidas sobre os quintos
      Sou um colega de Blumenau/SC e acompanho a página de vocês. Vi a resposta que vocês deram a um colega que trocou de função e já tinha algo incorporado, mas fiquei ainda com uma dúvida. Meu caso é o seguinte: ganhei uma F5 em 01/12/1998 e permaneço com ela até hoje. Então em 04/09/2001 eu tinha dois anos, nove meses e quatro dias de função. Minha pergunta é se os nove meses são aproveitados para algo. O parecer do MP do TCU não dispõe claramente e a lei 9624/98 dava décimos para os meses faltantes para mais um quinto, segundo entendimento do próprio TCU (decisão 925/99), quando ela dispôs sobre o fim das incorporações. Como a MP 2245/2001 também nada fala, fiquei sem saber se está claro que estes nove meses são incorporados como quintos, como décimos ou se não são incorporados. Em resumo: O que eu incorporo com 02 anos de 09 meses de FC5 em 09/2001?
Djalmar Wiggers - JF Blumenau/SC

Resposta: Caso tenhamos sucesso na ação que pede a incorporação dos quintos no período de 1998 a 2001, você terá direito à incorporação de dois quintos. Sobre a fração, não há resolução em vigor.

Cartas para esta seção devem ser enviadas para rua Antonio de Godoy, 88, Centro - SP - CEP 01034-000. Emails, para <imprensa1@sintrajud.org.br>, com cópia para <editoravanguarda@terra.com.br> (confirmar recebimento).
Os textos devem ter, no máximo, 15 linhas.

Idéias
Uma página para a livre expressão de opinião

Agradecimento e defesa do voto nulo
Ana Luiza Figueiredo Gomes
      Quero agradecer a confiança que meus companheiros e companheiras de trabalho e de luta demonstraram ao votar em minha candidatura para vereadora de São Paulo.
      Para o PSTU, o voto que cada trabalhador deposita em nossas propostas tem uma enorme importância, pois somos um partido socialista, com apenas dez anos, sem nenhum financiamento externo e em particular empresarial e com menos de um minuto na TV. E que dedicou estes poucos recursos para defender os interesses de nossa classe e nosso direito a uma vida digna, com muita garra. Denunciando os partidos da burguesia e o atual governo do PT como responsáveis por todas as mazelas decorrentes da política neoliberal do FMI.
      Para nós as eleições, embora representem um momento privilegiado para o debate político, não mudam nossas vidas, só a luta dos trabalhadores pode libertar toda a humanidade da miséria e da violência que o sistema capitalista nos impõe.
      No segundo turno em São Paulo, por exemplo, não havia alternativa real entre Marta Suplicy (PT) e José Serra (PSDB). Aqueles que se dispuseram a votar em Marta, para evitar a vitória da oposição de direita, legitimaram o governo. O PT já não tem nada de “esquerda”, sendo o principal baluarte do plano econômico neoliberal a serviço dos banqueiros. Cada voto no PT, independentemente da ilusão do eleitor, reforça a dominação do FMI.
      Aqueles que se dispuseram a punir o governo votando em Serra, apostaram no PSDB, que tem total acordo com o governo em todos os seus ataques aos trabalhadores, como a reforma da Previdência e o arrocho do salário mínimo. O PSDB e o PFL concordam também com os ataques que o governo fará após as eleições.
      Enganaram-se ainda os que votaram em “candidatos”, sem se preocupar com os partidos a que pertençam. São os partidos que expressam o projeto real dos candidatos, muito mais do que as promessas mentirosas.
      O “mal menor” é, na verdade, o maior. Com esta postura, os trabalhadores não constróem uma posição independente da burguesia. Banqueiros, industriais e latifundiários estarão apoiando um ou outro candidato do PT ou da oposição de direita. Não existu alternativa real de esquerda nestas eleições.
      O que você faria se alguém lhe perguntasse se você prefere ganhar um tiro ou uma facada? Você teria todo o direito de responder que não quer nenhum dos dois.
      Os trabalhadores e a juventude são educados pelos políticos burgueses e pelo PT em optar pelo “mal menor” nas eleições: Vamos votar nesse candidato no segundo turno, porque senão o “outro” pode ganhar. Assim, elimina-se qualquer tipo de independência política dos trabalhadores. Por isso, no primeiro turno chamamos você a votar nos candidatos do PSTU e, no segundo turno: contra burguês, votamos nulo outra vez!
Ana Luiza, servidora do TRF-3 e coordenadora-geral da Fenajufe, foi candidata a vereadora em São Paulo pelo PSTU e obteve 525 votos.

Idéias- Os artigos não refletem a opinião da diretoria do Sintrajud. Textos para esta seção, com no máximo 45 linhas de 70 toques, devem ser enviados para o endereço eletrônico <imprensa1@sintrajud.org.br>, com cópia para <editoravanguarda@terra.com.br>. Ou para o fax (11) 3337 7508, ou, por carta, para rua Antonio de Godoy, 88, Centro - SP - CEP 01034-000. No caso do fax e e-mail, confirmar recebimento. Textos com excesso de caracteres além do citado acima podem ser reduzidos a critério do editor.

AGENDA SINDICAL

VAI ACONTECER

5 DE NOVEMBRO
- 6º Encontro Estadual dos Aposentados do Judiciário, às 9h30, no auditório do sindicato (Rua Antonio de Godoy, 88).
6 DE NOVEMBRO
- 1º Seminário Estadual sobre a revisão do PCS III e Plano de Carreira, 10h, auditório do sindicato.
9 A 11 DE NOVEMBRO
- Seminário Internacional “O Trabalho no século XXI”, na Escola Politécnica da USP, no auditório Professor Francisco Romeu Landi, às 9h.
10 E 11 DE NOVEMBRO
- Seminário Internacional “Ilegitimidade da dívida - um caso de auditoria”. Auditório Petrônio Portella, no Senado. Programação em www.sintrajud.org.br.
11 A 13 DE NOVEMBRO
- Encontro do Coletivo Jurídico da Fenajufe, em BH.
12 E 13 DE NOVEMBRO
- 14ª Plenária Nacional da Campanha Contra a Alca, no DF.
18 DE NOVEMBRO
- Reunião do Conlutas, no escritório do movimento em SP.
20 DE NOVEMBRO
- Reunião da Diretoria Executiva da Fenajufe, em Brasília.
21 DE NOVEMBRO
- Seminário Nacional da Fenajufe sobre a revisão do PCS III, na forma de anteprojeto elaborado pela Comissão Interdisciplinar do STF.
25 DE NOVEMBRO
- Marcha Nacional em Brasília contra as reformas universitária, sindical e trabalhista.
26 DE NOVEMBRO
- Noite da Consciência Negra, 19h, local a confirmar.
27 DE NOVEMBRO
- 15ª Reunião Aberta do Conselho de Base e Assembléia Geral Ordinária do Sintrajud para prestação de contas.

ACONTECEU

25 DE OUTUBRO
- Debate “A reforma da Legislação Trabalhista e a Reforma da Previdência”, promovido pela Lex Editora, com a participação da diretora do Sintrajud Carmen Dora Ferreira.
20 A 24 DE OUTUBRO
- 2º Encontro Nacional dos Oficiais de Justiça, Gramado/RS.

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