JORNAL DO JUDICIÁRIO N° 191
21/Setembro/2004
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OPINIÃO DO SINTRAJUD

Posse no TRT-2
      A juíza Maria Aparecida Pellegrina encerrou na semana passada seu mandato de dois anos na presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região sem atender a maioria das reivindicações dos servidores.
      Dentre elas, a que defende o abono dos dias da greve contra a reforma da Previdência. É lamentável que tenha ignorado os apelos do sindicato e dos servidores, baseados num fato de fácil constatação: os serviços represados já haviam sido repostos há muito tempo. A compensação, portanto, teve muito mais caráter de punição do que de reposição de horas.
      Enquanto esteve na presidência, Pellegrina perdeu boa oportunidade de estabelecer uma melhor relação com os servidores, que se desdobram dia a dia para manter o funcionamento de um tribunal que possui número de funcionários muito aquém da necessidade, fato reconhecido pela própria administração.
      A nova presidente, Dora Vaz Treviño, assume sem que o problema de pessoal, que se agrava cada vez mais, tenha sido resolvido e em meio a novas denúncias de irregularidades na obra da Barra Funda. A posse de uma nova administração é sempre momento de escolhas e decisões. Torçamos para que opte por ouvir os servidores e por contribuir para uma apuração transparente de todas as denúncias.

Justiça sem lei
      A gravidade da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento da questão previdenciária não se restringe aos efeitos perversos que terá nas aposentadorias de servidores. Ao sobrepor argumentos econômicos ao direito adquirido e às cláusulas pétreas da Constituição, numa votação marcada por articulações políticas, os ministros do STF abrem um precedente de conseqüências imprevisíveis na abrangência sobre quem perde – o trabalhador, é claro.
      Tanto é assim que o jornal “Valor Econômico”, diário dirigido ao setor empresarial, deu caráter histórico ao caso: “A decisão a favor da cobrança da contribuição previdenciária dos servidores públicos inativos pode ser considerada uma das mais importantes adotadas por essa corte nos últimos tempos, não apenas pelo impacto que terá, a médio e longo prazos, sobre as contas públicas, mas também porque poderá significar uma reviravolta no entendimento jurídico sobre o dogma de que o direito adquirido é intocável. Não deixa de ser extremamente curioso, de qualquer forma, que essa resolução da principal corte de Justiça do país tenha sido adotada durante o período em que ocupa a presidência da República um representante do partido que mais defendeu a tese do direito adquirido para os trabalhadores”.
      Tal constatação preocupa ainda mais diante das reformas trabalhista e sindical preparadas pelo governo Lula. E ganha especial importância o movimento de algumas entidades que pretendem denunciar os ministros do STF no Tribunal Internacional de Haia. Embora de resultados práticos difíceis, a denúncia pública do ato praticado é uma forma de pressionar os ministros do STF para futuros julgamentos.

Extermínio
      O forte indício de envolvimento de dois policiais militares, que teriam ligações com o tráfico de drogas, no assassinato de moradores de rua em São Paulo reforça a suspeita e as denúncias de organizações civis que associam o caso à verdadeira política de extermínio que se observa contra setores excluídos da sociedade – na qual o Estado, através de seus organismos de segurança e repressão, tem papel preponderante.
      Hoje, as ações policiais nas favelas cariocas ou em áreas periféricas de São Paulo acontecem à revelia das leis e da ordem jurídica. As denúncias de abusos praticados, do envolvimento de policiais com o tráfico e de assassinatos são freqüentes. O direito à vida tornou-se descartável, enquanto os meios de comunicação e os governantes seguem fingindo que os grandes traficantes estão nas favelas e comunidades populares.


SÓ RINDO

Lula na Bolívia
O presidente do Brasil foi se encontrar com o presidente da Bolívia. O presidente da Bolívia disse:
- Quero que você conheça o ministro da Marinha.
Então, o presidente do Brasil falou:
- Mas por que o ministro da Marinha se na Bolívia não tem mar?
O presidente da Bolívia respondeu:
- Pelo mesmo motivo que existe o ministro da Justiça no Brasil.

Lula no hospício
Lula vai visitar um hospício e é recepcionado por pacientes.
- Viva o Lula!
- Viva o Lula!
- Viva o Lula!
Gritavam eles, entusiasmados.
Ao ver um deles calado, um assessor de Lula pergunta:
- E você, por que não está gritando: “Viva o Lula”?
- Porque não sou louco, sou médico.

CARTAS E EMAILS

Constituição
      Muita coisa está errada na Constituição, mas algumas merecem consideração:
      1º) Os Ministros do STF aceitam pressões do Executivo e do Legislativo porque são aprovados e nomeados por estes Poderes; Será que estes Poderes aceitariam que os seus membros fossem aprovados e nomeados pelos ministros do STF?
      2º)  Todos os cargos são preenchidos por concursos públicos, “exceto os cargos de livre nomeação” (DAS e outros).Estes cargos, que são os melhores, servem de mercadorias de troca. Essa frase “exceto...” é o empecilho de todo o progresso da carreira pública e deveria ser estudado com mais cuidado.
      Infelizmente, o 2º item foi colocado lá não se sabe por quem e ninguém consegue retirá-lo porque não interessa a ninguém que ele desapareça. E outro detalhe importante é que o Estado sempre foi o melhor empregador do país, tanto em termos de trabalho como de remuneração, mas estão conseguindo colocar o serviço público como a última opção de emprego no país.
      Desculpem, e obrigado.
Vitor e Maria, por email.

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