JORNAL DO JUDICIÁRIO N° 191 21/Setembro/2004 Página 2
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FRASES
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DE HOJE
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Quero
todo mundo no meu palanque
Marta Suplicy, prefeita de São Paulo candidata à
reeleição, voltando atrás na declaração
de que não aceitaria Paulo Maluf, no palanque do segundo turno.
Quero que Pinochet morra sem paz
Isabel Allende, deputada socialista, filha do ex-presidente
chileno Salvador Allende, ao defender o julgamento do ex-ditador.
A África evitou que os brasileiros se contaminassem pela
melancolia portuguesa
José Eduardo Agualusa, escritor angolano, sobre a sua
fascinação pela alegria do povo brasileiro.
Por parte do Lula há um equívoco: ele acha que foi
eleito por ter moderado o discurso e, na verdade, ele foi eleito porque
o outro modelo fracassou
João Antônio de Paulo, economista e professor da
UFMG.
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DE ONTEM
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>Há
crimes piores do que queimar livros. Um deles é não lê-los
Joseph Brodsky, poeta russo.
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IMAGEM
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SILÊNCIO
- Duas semanas depois das ações terroristas dos seqüestradores
e do governo de Vladimir Putin, na Rússia, houve o reinício
das aulas em Beslan. Pais e alunos fizeram um minuto de silêncio,
na última quarta, dia 16, em respeito aos mais de 320 reféns
mortos. Traumatizados, apenas 25% dos estudantes de seis escolas locais
compareceram às aulas.
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Idéias
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Uma página para a livre expressão de opinião
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Violência
estrutural nas relações de trabalho (ou um pontapé
na sua b...)
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Sérgio
Araújo Caldas
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O
oficial de justiça que atua na área trabalhista vivencia
diariamente o medo e o desamparo do assalariado, que bate às portas
do Poder Judiciário para receber o que lhe é devido. Muitas
vezes, esse reclamante recebe em troca de seu trabalho um
pedaço de papel, escrito às pressas e sob intensa pressão
psicológica, que pode ser um auto de penhora ou uma
certidão negativa ou um auto de resistência.
O resultado objetivo é um só: nada.
Afinal, o desemprego é um fato
banal hoje em dia. Não temos medo apenas do desemprego. Temos medo
da fome, medo da violência, medo do outro, que pode nos dar um pontapé,
a qualquer momento. Colocado nesse olho do furacão,
o oficial de justiça muitas vezes encontra empregadores que simplesmente
não entendem como seu funcionário teve
a coragem de promover uma ação trabalhista. Muitos
agem com dissimulação e cinismo, na certeza de que nada
vai acontecer. Na presença do oficial de justiça, indicam
máquinas velhas e computadores que já foram penhorados trocentas
vezes, num teatro patético que nada fica a dever a um circo dos
horrores.
O pior é que o próprio
oficial de justiça vai introjetando em sua mente a idéia
de que ele é apenas mais um palhaço desse imenso circo.
Por trás disso tudo, estão os papéis dominantes de
sempre, o patrão bonzinho e o empregado atrevido
e indolente. O pano de fundo é o dinheiro, que não
tem preocupações éticas, não pensa no hipossuficiente,
está pouco se lixando com a execução trabalhista
ou com a força das decisões transitadas em julgado
ou a efetividade do processo. O capital é hegemônico
e indiferente a esses conceitos jurídicos. Seu epicentro é
a empresa enxuta, que odeia visões românticas
como solidariedade e fraternidade. Seu motor é por natureza desagregador,
excludente, totalitário e alienante.
Cabe a nós, servidores do Judiciário
e que lidamos com essa dura realidade, muitas vezes no próprio
ambiente de trabalho, elaborarmos um novo discurso, capaz de desmistificar
ou pelo menos atenuar essa tragédia, não nos deixando contagiar
por essa lógica perversa.
Sim, porque até mesmo o ilustríssimo
senhor presidente do Supremo Tribunal Federal defende que nós sejamos
tratados a pontapés e que devemos ser trocados por
máquinas. Assim, o sinhozinho trata o empregado a pontapés,
que entra na Justiça pleiteando seus direitos e, depois, esse mesmo
funcionário que vai cobrar seus direitos é tratado a
pontapés pela cúpula do Judiciário, que logo
logo também receberá os devidos pontapés
do governo, que também, logo logo receberá um pontapé
do povo, que elegerá outros representantes mais dignos.
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Sérgio
é oficial de justiça lotado na Central Barra Funda.
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Idéias- Os artigos não refletem a opinião da diretoria do Sintrajud. Textos para esta seção, com no máximo 45 linhas de 70 toques, devem ser enviados para o endereço eletrônico <imprensa1@sintrajud.org.br>, com cópia para <editoravanguarda@terra.com.br>. Ou para o fax (11) 3337 7508, ou, por carta, para rua Antonio de Godoy, 88, Centro - SP - CEP 01034-000. No caso do fax e e-mail, confirmar recebimento. Textos com excesso de caracteres além do citado acima podem ser reduzidos a critério do editor.
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OBSERVATÓRIO
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Incrível:
a CUT propõe um pacto social!
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Waldemar
Rossi
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Mais
uma surpresa desagradável: os jornais nos revelam que o presidente
da CUT propõe um pacto social com o empresariado, defendendo
que os trabalhadores abram mão de suas reivindicações!
Ficam algumas perguntas no ar:
* Essa proposta é consenso
entre os dirigentes da CUT, ou é mais uma imposição
do seu presidente?
* Há consenso entre os dirigentes
ligados à Articulação, corrente majoritária
na Central, ou eles nem mesmo foram consultados? Se foram, concordam?
* Os trabalhadores aqueles
que produzem riquezas para os patrões e sustentam os dirigentes
sindicais estão de acordo em abrir mãos de suas lutas
em defesa dos seus mais legítimos direitos?
* Onde foram realizadas assembléias
de consulta aos trabalhadores, e em quais lugares foi dada autorização
para o Luiz Marinho negociar tal absurdo?
Creio que essas perguntas merecem
respostas claras, pois não se pode admitir que alguém, pelo
simples fato de ter galgado a direção de uma central (aliás,
uma indicação do próprio Lula, extrapolando
suas atribuições), já possa meter os pés pelas
mãos, tripudiando sobre os interesses e direitos dos trabalhadores,
como se todos fossem simples propriedades suas. Convém lembrar
que a escravidão já foi extinta da vida política
brasileira e que direitos humanos não podem ser violados por quem
quer que seja, sejam eles políticos com mandatos, seja o presidente
da República e muito menos um dirigente sindical, já que
esse é escolhido para defender, e não para barganhar tais
direitos.
Cabe às direções
sindicais reagir prontamente contra tal absurdo e, como legítimo
recurso, se o caso assim o exigir, promover assembléias e desautorizar
publica e juridicamente o atual presidente da CUT.
Não dá nem para se estender
sobre o assunto, uma vez que a História da Humanidade está
repleta de exemplos sobre os nefastos resultados de acordos semelhantes,
principalmente durante o sistema capitalista. Já nos ensinava Bem
Sirac, lá pelos anos 180 antes de Cristo: Enquanto você
for útil, o rico o explorará, mas quando você precisar,
ele o abandonará. Se você possuir bens, ele viverá
com você e o explorará sem remorsos... Fará você
ficar envergonhado nos banquetes dele, até despojá-lo por
duas ou três vezes. Por fim, vendo você, passará adiante
e sacudirá a cabeça contra você.
Parece que as lições
do capital, quanto ao grau de exploração aplicado sobre
os trabalhadores, tendo como ponto de partida o próprio ABC, não
servem para abrir os olhos de certos dirigentes sindicais.
Lamentável, senhor Luiz Marinho.
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Waldemar
Rossi, metalúrgico aposentado e dirigente da Pastoral Operária
Católica, é um dos colaboradores desta coluna.
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