JORNAL DO JUDICIÁRIO N° 189 02/Setembro/2004 Página 5
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FILMAGEM
SECRETA NO TRF-3 |
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TRF
diz que câmeras não monitoraram servidores, mas não
revela quem as instalou |
Diretor-geral
diz ao sindicato que microcâmeras não filmavam servidores
* Perguntas como quem mandou instalá-las e para onde iam as imagens
ficam sem resposta * Sindicato pede sindicância, mas TRF nega |

Dirigentes do Sintrajud com o diretor-geral do TRF-3,
no dia 23 de agosto |
As informações dadas ao sindicato pela administração
do Tribunal Regional Federal da 3ª Região não foram
suficientes para afastar a suspeita de que servidores estariam sendo alvos
de espionagem. Na reunião entre a administração e
o sindicato, que aconteceu na terça-feira 23, o diretor-geral,
Gilberto Nunes, admitiu a existência das microcâmeras escondidas,
mas negou que tenha existido por parte da administração
determinação para espionar servidores.
Ele disse que as câmeras instaladas em alguns setores visavam a
coibir furtos de materiais e equipamentos, que vêm ocorrendo no
TRF. “O que aconteceu é que nós tivemos furtos e aí
passou a ser feito o monitoramento dos ambientes, do almoxarifado [um
dos locais onde uma microcâmera foi localizada]”, explicou.
Segundo ele, no 12º andar da
Torre Beta “as coisas não foram feitas da forma como se deveria”,
comunicando aos funcionários sobre o monitoramento dos setores.
“E no conjunto dessas ações [para coibir furtos] acabou
tendo a instalação de algumas câmeras, que talvez
não tenham caminhado na forma que deveria, que era informando às
pessoas”, disse.
Categórico, afirmou: “Se
houve desconforto do pessoal por ter encontrado algum aparato lá,
o que a gente pode afirmar é que em nenhum momento foi monitorado
o pessoal que estava no ambiente de trabalho”. E alegou que as filmagens
ocorreram fora do expediente.
A administração não
soube responder quem instalou as câmeras, sob determinação
de quem, para onde estavam sendo geradas as imagens, quem as estaria monitorando
e qual a finalidade. Também não disse o motivo de as microcâmeras,
alegadamente instaladas para identificar furtos, terem microfones acoplados.
Diante das dúvidas que persistem,
os servidores solicitaram a instalação de uma sindicância
para apurar o caso e a divulgação de um comunicado aos funcionários
informando que não houve intenção de praticar espionagem.
Ambos os pedidos foram negados.
Declarações de Salles e Rodrigo confundem
O diretor-geral não confirmou,
nem negou, a informação de que o diretor da Subsecretaria
de Material e Patrimônio, Claudio Salles, teria admitido a servidores
a responsabilidade pela instalação das microcâmeras.
Procurado pela reportagem deste jornal para se pronunciar sobre o caso
e os furtos que teriam ocorrido no TRF, Salles não quis falar:
“Como já disse, tudo é com o diretor-geral”.
Após a reunião, a comissão
de servidores informou aos colegas da Subsecretaria de Material e Patrimônio
o desfecho da audiência. Salles e o diretor da de Serviços
Gerais, Vitor Neves Ribeiro, tentaram, mas não conseguiram, impedir
o sindicato de falar com os servidores.
A reportagem do Jornal do Judiciário
apurou que o diretor administrativo, Rodrigo Corral Cabarcos Filho, após
participar de uma reunião no mesmo dia com a presidente do Tribunal,
Anna Maria Pimentel, teria declarado aos servidores do 12º andar
que não há e nunca houve câmeras escondidas ali.
A reunião de diretores de secretarias
com a presidente do TRF ocorreu pouco após o término da
audiência da administração com o sindicato. Claudio
Salles também teria participado e, ao regressar ao seu setor, teria
feito comentários com os servidores que geraram mais dúvidas
e incertezas sobre o caso – ele teria dito que era militar e que
tinha amor à pátria, em tom de desabafo, sem deixar claro
o que queria dizer com isso.
A reportagem procurou o diretor administrativo
para que ele explicasse a suposta contradição entre o que
teria dito aos servidores e o que a administração informou
ao sindicato. Rodrigo também não quis se manifestar sobre
o caso, mas disse que falaria “sem problemas” numa reunião
com o sindicato e a direção geral (ver texto nesta página).
O sindicato marcou audiência
com o corregedor-geral do TRF, desembargador Batista Pereira, e reunião
com o presidente da associações de juízes (Ajufesp),
Marcos Lunardele. Também fará contato com procuradores da
República. |
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NOSSA
OPINIÃO |
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Por
que o sindicato cobra explicações |

Anna Maria Pimentel, presidente do TRF-3 |
Lutar por salários, plano de cargos e carreira e melhores benefícios
são algumas das obrigações de um sindicato. Mas exigir
condições dignas e respeitosas de trabalho também
é parte dos deveres de qualquer entidade sindical que se preze.
E é isto que move o sindicato a cobrar explicações
da administração do TRF-3 sobre o estranho aparecimento
de microcâmeras escondidas e da ainda não descartada suspeita
de que servidores tenham sido espionados no local de trabalho.
É importante que se diga que não estamos diante de um caso
isolado dentro da administração da desembargadora Anna Maria
Pimentel na presidência do TRF-3. Ele se insere num contexto de
contínuo desrespeito aos profissionais que se dedicam ao Tribunal.
Denúncias de assédio moral tornaram-se rotina. O diálogo
e a busca de soluções conjuntas não são e
nunca foram marcas desta administração, ao contrário.
É neste cenário que
surgem microcâmeras e microfones escondidos nos locais de trabalho,
sem o conhecimento de servidores e da Divisão de Segurança.
E estas são as razões
que nos levaram a procurarar o Ministério Público, que tem
melhores condições de obter informações e
investigar o caso. |
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Diretor
administrativo não comenta suposta contradição |
O
diretor administrativo do TRF-3, Rodrigo Corral Cabarcos Filho, não
quis se pronunciar sobre a informação de que teria dito
a servidores que nunca houve câmeras escondidas no 12º andar,
o que contraria a informação dada pela administração.
Disse, porém, que concorda
discutir o assunto em uma reunião com o sindicato e a direção
geral. “Até agora não fui consultado, saiu a matéria
e ninguém ligou, ficou diretamente com a coordenação-geral”,
disse, por telefone, à reportagem do Jornal do Judiciário.
“Acho que se eu disser qualquer
coisa agora não seria legítimo no aspecto jornalístico”,
afirmou. “Vamos conversar pessoalmente em uma reunião com
o diretor-geral, não há problema de falar sobre isso”,
sugeriu. “Para mim seria muito importante, não sabe como
isso machuca a gente, não sei se vocês levam isso em consideração”,
disse mais adiante, sem entrar em detalhes. “Ninguém mais
quer isso esclarecido do que eu”, concluiu. |
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Fenajufe
pede ao TST aumento na ‘alimentação’ e ‘transporte’
Dirigentes da federação
nacional (Fenajufe) e do sindicato de ser-vidores do Judiciário
do Rio reuniram-se com o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST),
ministro Vantuil Abdala, para reivindicar, entre outras questões,
a equiparação da indenização de transporte
para oficiais de justiça na Justiça do Trabalho ao valor
fixado na Justiça Federal. De acordo com Abdala, o processo já
foi encaminhado ao pleno do TST e aguarda votação. O relator
é o ministro Carlos Alberto Reis de Paula.
Também foi pedido reajuste
no auxílio-alimentação e isonomia com os servidores
do Supremo Tribunal Federal e o pagamento de passivos ainda não
quitados em muitos tribunais. Abdala informou que discutiu com o ministro
do Planejamento, Guido Mantega, a necessidade de verba para pagar os passivos
e que há possibilidade de suplementação orçamentária
este ano.
A Fenajufe também apresentou
uma demanda do Sintrajud/SP, pedindo informações a respeito
da determinação do Tribunal de Contas da União (TCU)
de devolução aos cofres públicos dos valores do PSSS
que teriam sido descontados a menor dos servidores do TRT/SP, entre novembro
de 1996 e julho de 1998. A presidente do TRT fez uma consulta ao TST sobre
a decisão, ainda não apreciada segundo Abdala. (com Agência
Fenajufe de Notícias)
Inglês: inscrições abertas
Estão abertas as inscrições
para o segundo módulo do curso de inglês oferecido gratuitamente
pelo Sintrajud aos associados. As aulas começam dia 8 de setembro
(segundas e quartas das 20h às 21h30). Entre em contato com o departamento
Sociocultural para fazer sua inscrição, pelo telefone (11)
222-5833.
Lazer e biblioteca no sindicato
Os aposentados já podem utilizar
jogos adquiridos pelo departamento Sociocultural (xadrez, dominó
e baralho) de segunda a sexta, das 11h às 19h, no 5° andar
do sindicato. Com o objetivo de criar um espaço de convivência,
o sindicato está aceitando doações de livros para
construir uma biblioteca na sala do Núcleo. |
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