JORNAL DO JUDICIÁRIO N° 189 02/Setembro/2004 Página 2
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FRASES
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DE HOJE
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“Getúlio
Vargas, se vivo, teria motivos para se matar”
Vantuil Abdala, presidente do Tribunal Superior do
Trabalho, sobre a intenção do governo Lula de flexibilizar
as leis trabalhistas.
“Eduardo você tem alguma consideração a fazer?
Senão você está me atrapalhando”
Marta Suplicy, prefeita de São Paulo, interrompendo
a apresentação de suas propostas na Associação
Comercial de São Paulo para dar uma bronca no ex-marido, Eduardo
Suplicy, que conversava com Rui Falcão, candidato a vice.
“Ele corre o risco de sair da História para cair na vida”
Chico Alencar, deputado federal do PT/RJ e Léo
Lince, cientista político, parodiando a carta testamento de Getúlio
Vargas, ao criticar os rumos do governo Lula, no texto intitulado “Vargas
e Lula: aproximações e abismos” |
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DE
ONTEM |
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| “Quem
disse que ganhar ou perder não importa, provavelmente perdeu”
Martina Navratilova, tenista |
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IMAGEM |
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JUSTIÇA
- A decisão da Suprema Corte do Chile de retirar a imunidade do
ex-ditador Augusto Pinochet foi comemorada nas ruas de Santiago pelos
parentes das vítimas da ditadura. Pinochet, que governou o Chile
de 1973 a 1990, pode ser processado pelo desaparecimento e morte dos opositores
ao regime sangrento. A revelação de que Pinochet possui
contas secretas no exterior e de enriquecimento ilícito fragilizou
o apoio da direita chilena. |
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Idéias
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Uma página para a livre expressão de opinião
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No
limite |
Pedro
Cardoso da Costa |
Todos
lembram que os reality show começaram com um programa que tinha
o título acima. Esse título serviria para definir a atuação
de alguns setores deste Tribunal, em especial para determinar certas interpretações.
Compensação de faltas
é tão conhecida quanto a existência de horas-extras
em período eleitoral. Trata-se de um tema conhecido por todos,
e quase unanimemente utilizado.
Entrei de licença-prêmio,
por 60 dias, a partir de 3 de maio. Emendei com férias.
Detalhe: por problema particular,
faltei nos dias 29 e 30 de abril. Calma. Dias 2 e 3 de maio recaíram
num sábado e domingo.
Dia 29 de julho retornei ao serviço
e dei entrada no pedido de compensação, num formulário
padrão.
Para minha surpresa, mais tarde, fui
orientado por um funcionário da coordenaria competente a fazer
um requerimento, explicando as razões do porquê de não
ter compensado no mês seguinte ao das faltas, com o tradicional
final com aquele “Nestes termos, p. deferimento” da prorrogação
de prazo para compensação.
Claro que houve aborrecimento dos
dois lados. Não fiz e admiti que recorreria apenas se houvesse
o desconto das faltas.
Verbalmente, comecei explicando, quando
fui interrompido por um “se você sabia que iria tirar licença...”.
Outro atropelo, agora, meu, que o funcionário falta, na maioria
das vezes, por circunstâncias imprevistas, por caso fortuito ou
de força maior. Gostaram! No que fui prontamente compreendido.
Mas, como a maioria tem por princípio ser ponderado, o rapaz queria
defender de todas as formas a hierarquia; insistiu. Prorrogação
de prazo...
Pessoal, embora a norma prescreva
que a compensação seja no mês seguinte, não
fui atrás disso, mas fui ver o significado de prorrogação
no Aurélio e vou poupá-los. Indago a cada um: neste caso,
qual foi o “meu” mês seguinte? Qual prazo existiu para
mim, para eu pedir a prorrogação? Será que seria
aceita a compensação feita no período de férias
e de licença-prêmio?
Para vocês, explico que as faltas
se deram em função da morte de uma irmã, que, embora
com doença terminal, se esqueceu de definir o final de semana para
desencarnar. Não requeri o nojo, porque foi a condição
exigida para eu poder fazer hora-extra no dia 2 de maio, devidamente anotada.
Ainda aguardo o (in?)deferimento da
compensação. Essa interpretação legal chegou
ou não no limite? |
Pedro
Cardoso da Costa é servidor do TRE |
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OBSERVATÓRIO
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CPI
do Banestado:
“Se gritar pega ladrão...” |
Por
Washington Lima |
A
CPI do Banestado, que há um ano e meio investiga o envio para o
exterior de cerca de R$ 30 bilhões – aproximadamente R$ 90
bilhões pelas contas CC5, entre 1996 e 2002 – , revelou uma
podridão poucas vezes vista.
Praticamente todo o alto escalão
dos bancos brasileiros – inclusive o ex-presidente do BankBoston
e atual do Banco Central, Henrique Meirelles, que ganhou “status”
de ministro com direito a foro especial no STF.
Também políticos como
o ex-presidente FHC operaram neste mecanismo, típico do câmbio
livre, seja para lavar dinheiro sujo no exterior, seja para fugir do fisco
e não pagar imposto de renda, mas, até agora, apenas meia-dúzia
de diretores paranaenses do Banestado foram condenados.
As informações da CPI
permitiram que a Receita Federal, até o momento, autuasse devedores
de cerca de R$ 5,4 bilhões de impostos não pagos sobre o
dinheiro ilegalmente enviado ao exterior. Mas isso é só
uma parte. A CPI levantou 412 mil operações bancárias
daquele período, reuniu 900 caixas de documentos, depois de ter
quebrado o sigilo bancário de 1.700 pessoas, e este trabalho está
ameaçado porque atingiu poderosos banqueiros e “figurões”.
Um exemplo foi o pedido de convocação
do ex-presidente FHC, pelo deputado Eduardo Valverde (PT-RO), depois desautorizado
pelo Palácio do Planalto. O ex-presidente teria de explicar o financiamento
de sua campanha em 1994, e empréstimo de US$ 840 milhões
ao banco BBV a juros de 6%. Ao mesmo tempo em que, numa operação
“casada”, o BBV investiu US$ 840 milhões em título
brasileiros a juros de 14,5% - que mamata!
Sob pretexto de “vazamento”
de informações da CPI, extorsões e chantagens, há
uma tendência no governo e na oposição para, inclusive,
“incinerar” os registros.
Mas quem teme ser envolvido? Só
quem tem riqueza escondida pelo “sigilo bancário”,
esse santo que abençoa todas as trapaças e manobras da acumulação
privada do capital.
A quebra do sigilo bancário
revelou o envolvimento dos donos dos principais bancos do país
(Unibanco, Bradesco, ABN, Itaú, Safra, dentre outros) e internacionais
envolvidos (como o MTB Bank do EUA e outros), que eram usados para enviar
o dinheiro. O “Financial Times”, saiu a campo para criticar
a CPI e pedir a “não divulgação de informações
sigilosas”.
O governo Lula, ao invés de
proteger Meirelles e outros banqueiros, anunciando medidas como a de restringir
servidores de falarem à imprensa sobre as investigações
de toda esta sujeira, deveria pôr um paradeiro nesta farra da especulação
e fraude.
O estabelecimento do controle do câmbio
seria uma primeira medida de soberania nacional nesta direção. |
Washington
Lima é economista, assessor do Sintrajud e um dos colaboradores
desta coluna. |
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