Assuntos Econômicos Gerais e Orçamentos dos Tribunais e da União
JUROS ABSURDOS!!
       Digamos que um banco tenha lhe dado uma conta de cheque especial sem limite, e, que você tenha sacado R$ 1.000,00 em 01 de novembro de 1996, e, esquecido de efetuar o pagamento os juros que são de 8% ao mês, capitalizados.
      Essa taxa de juros é praticamente a taxa atual do Banco do Brasil, que embora muito alta, ainda assim é uma das mais baixas, para o cheque especial. Durante os últimos dez anos, que é o período analisado, ela já bem maior nesse e em outros bancos.
      Esses juros também são capitalizados. Além de incidentes sobre o principal da dívida, também são cobrados os juros dos juros. Assim funciona a cobrança de juros no país, embora a legislação proíba esse tipo de procedimento – cobrar os juros dos juros.
      Juros mensais de 8% representam em um ano 151,82%. Assim no primeiro ano, a dívida passou de R$ 1.000,00 para R$ 2.518,17. Como não foi pago o débito para o segundo ano foi aplicado mais 151,82%, passando a dívida com o banco para R$ 6.341,18. No terceiro ano mais 151,82% e a dívida chegou a R$ 15.968,17.
      Em três anos de juros de cheque especial de R$ 1.000,00 que se devia no início passou para astronômicos R$ 15.968,17. Nesse pouco tempo os juros, que foram cobrados sobre o principal e sobre os juros somaram 1.496,82%.
      Mas vejam que essa dívida vai continuar subindo exponencialmente e dez anos depois, em 31 de outubro de 2006, o banco tem a seu favor R$ 10.252.992,94, isso mesmo dez milhões, duzentos e cinqüenta e dois mil, novecentos e noventa e dois reais e noventa e quatro centavos. Os juros foram 1.025.199,29%, e, vou colocar por extenso, pois realmente é inacreditável, foi cobrado de juros hum milhão, vinte e cinco mil, cento e noventa e nove, vírgula vinte e nove por cento.
      Nesse mesmo período de 01/11/1996 a 31/10/2006, a correção da poupança foi de 177,09%. A dívida inicial de R$ 1.000,00, corrigida pelos mesmos índices da caderneta de poupança passaria a R$ 2.770,90.
      Se os juros forem de 3% ao mês, e o valor inicial da dívida também fosse de R$ 1.000,00, em dez anos ela seria de R$ 34.710,99, mais de doze vezes o que se pagaria com a correção pela poupança.
      Essa é uma das razões para os lucros absurdos dos bancos no Brasil, que praticam um verdadeiro assalto, saqueando a renda dos trabalhadores, os pequenos e médios empresários, através de cheque especial, cartão de crédito, crédito pessoal, com ou sem desconto em folha, desconto de duplicadas, contas garantidas, etc.. Os mais variados e criativos nomes para extorquir a população.
      Assim é fácil compreender o alto grau de endividamento da maioria do povo brasileiro, principalmente depois da introdução do desconto em folha de pagamento de empréstimos bancários, que chegam a taxas de 5%, 6% e até mais, onde a empresa financeira tem total garantia de recebimento do empréstimo e dos juros.
      Tudo isso pode ser questionado juridicamente. Estatísticas recentes mostram que cerca de 50% das reclamações na Justiça Estadual já são contra os Bancos. Ilustra bem a preocupação dos banqueiros, o escandaloso episódio onde a Federação dos Bancos alugou um avião, levando vários ministros do STJ e desembargadores de Tribunais de Justiça com suas famílias para um luxuoso hotel no sul da Bahia, onde estes ouviram “palestras” sobre a necessidade dos bancos cobrarem esses juros.
      Por outro lado, o governo Lula, que foi eleito pela maioria do povo, e, que está sofrendo duramente com essa situação, deve tomar medidas urgentes, dentre elas o fim do desconto em folha de pagamento dos empréstimos bancários, e utilizar os recursos dos bancos estatais como o BB e a CEF para financiamento com taxas que não sejam maiores do que estabelece a legislação, de correção monetária e juros de 12% AO ANO. 0


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