Assuntos Econômicos Gerais e Orçamentos dos Tribunais e da União
EXECUTIVO FAZ CONTINGENCIAMENTO NO ORÇAMENTO PARA PAGAR DÍVIDA
      O Ministério do Planejamento no final de março determinou um contingenciamento de R$ 16 bilhões no orçamento dos 3 Poderes da União, cabendo ao Poder Judiciário R$ 744 milhões.
      Essa medida é completamente absurda, já que a alegação do governo foi de que havia uma estimativa de frustração de arrecadação para o ano de R$ 4,8 bilhões. O cálculo foi realizado com base nos valores arrecadados em janeiro e fevereiro. Ora, o contingenciamento era muito superior à própria conta em relação à expectativa de diminuição na arrecadação.
      A aberração era ainda maior com a divulgação dos dados da arrecadação de março, que é maior em 11,78%, em relação a 2006, já descontando a inflação pelo IPCA.
      Como pode o governo tomar tal medida, com uma elevação tão alta da arrecadação?
      Como explicou o Ministro Paulo Bernardo, o contingenciamento visa garantir o pagamento dos juros da dívida da União.
      O Orçamento do governo federal tem uma previsão de gastos de R$ 165, 8 bilhões com o pagamento de juros e encargos da dívida.
      O contingenciamento não significa de imediato um corte no orçamento, funciona como um bloqueio que impede a utilização dos recursos orçamentários contingenciados.
      Assim, durante o ano, de acordo com a arrecadação confirmando a "expectativa", vai sendo desbloqueado o orçamento.
      Porém na prática, principalmente no Poder Executivo, o contingenciamento termina se tornando um corte efetivo, pois vão sendo criadas dificuldades para a execução orçamentária, e ao final do exercício bilhões e bilhões do orçamento aprovado para gastos com a saúde, educação, segurança pública, e, etc... não são utilizados, gerando MAIS superávit primário, que é destinado para MAIS pagamento da dívida. Ou seja, são MAIS bilhões ainda, embolsados pelos banqueiros e especuladores.
      Nos Poderes Legislativo e Judiciário, com a confirmação da arrecadação, os valores durante desbloqueados, são em geral utilizados.
      O Poder Judiciário determinou o contingenciamento de R$ 217,75 milhões, ao invés dos R$ 744 milhões propostos inicialmente, sendo aceita a redução do contingenciamento posteriormente pelo governo, ficando a divisão entre os diversos Órgãos conforme abaixo:

STF - R$ 15,923 milhões
STJ - R$ 7,84 milhões
Justiça Federal - R$ 67,38
Justiça Militar - R$ 2,63 milhões
Justiça Eleitoral - R$ 48,25
Justiça do Trabalho - R$ 64,70 milhões
Justiça do DF e Territórios - R$ 10,99 milhões

TOTAL - R$ 217,75 milhões

      O que será bloqueado vai ser definido por cada Tribunal, e, deve atingir basicamente os investimentos previstos para o ano, porém, diferentemente dos anos anteriores, o Poder Executivo, com base num entendimento altamente polêmico da LDO, diga que possa também ser cortado de outros grupos de despesas, como os das atividades fins do Poder Judiciário.
      Embora esse bloqueio seja totalmente errado, não deve ter maior impacto para o Judiciário, pois ele representa apenas 0,94% do total do orçamento para o ano que é R$ 23,132 bilhões.
      Além disso, como explicado acima, deverá haver nos próximos meses o desbloqueio do contingenciamento.
Washington Luiz Moura Lima
Economista

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