BOLETIM DO 3º CONGRESSO N° 02
23/Março/2002
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Debate de Conjuntura
 
"Estamos de novo frente à escolha: socialismo ou barbárie"
Abertura do 3º congresso é marcada pelo discussão do combate ao neoliberalismo * José Martins (prof. de economia da Unicamp) e Reginaldo Moraes (prof. Ciências Sociais da Unicamp) explicam desenvolvimento e crise do capitalismo no século XX
 
. José Martins fala no debate de Conjuntura.

      O debate “a crise do capitalismo e a luta dos trabalhadores”, que iniciou as discussões de conjuntura do 3º Congresso do Sintrajud foi marcado pela discussão da necessidade dos trabalhadores se organizarem para combater o neoliberalismo. Os professores Reginaldo Moraes e José Martins falaram sobre os impactos da aplicação do modelo neoliberal na economia mundial e sobre os reflexos que esse modelo vem trazendo para a vida dos trabalhadores: como o aumento do desemprego, e da exploração.
      Para o professor Reginaldo Moraes (autor do livro Neoliberalismo: de onde vem, para onde vai?) “o segredo do crescimento e do sucesso do modelo neoliberal, e também de sua crise, foi o crescimento dos investimentos externos diretos, sobretudo o crescimento das filiais de empresas transnacionais". Isso porque o aumento desse tipo de investimento leva a um conflito permanente entre os capitais transnacionais e as regulamentações da produção nos estados nacionais. Para driblar esse conflito e repatriar os lucros para as matrizes, os capitalistas transnacionais destroem a regulamentação do trabalho, as políticas ambientais, de comércio, de saúde, etc, e se apóiam no capital bancário e finaceiro para liberalizar tarifas alfandegárias do sistema financeiro mundial.
      O professor José Martins dedicou sua fala a uma análise dos ciclos de crise do capitalismo cujos períodos, na sua avaliação têm diminuído para cerca de cinco anos do século XIX para cá, e ao processo de militarização que vem se dando no último período (Plano Colômbia, bases militares espalhadas pelo mundo todo, etc). Martins afirmou ainda que é fundamental que os trabalhadores estabeleçam estratégias de luta, pois os capitalistas estão extremamente organizados na análise das estratégias para o desenvolvimento do capital.
      Outro destaque na intervenção de José Martins foi a importância dada pelo professor para a globalização das lutas. Segundo Martins, a classe trabalhadora da América Latina espera a liderança dos trabalhadores brasileiros para enfrentar os ataques do capital. "Por isso, globalizar as lutas é de fundamental importância".

FRASES

"O mundo não é G7, G9 ou G10. O mundo é G1. A potência econômica mundial são os Estados Unidos."
(Reginaldo Moraes)

"A opção mais realista para os trabalhadores é começar a pensar e agis agora para combater o neoliberalismo."
(Reginaldo Moraes)

"Estamos de novo frente à opção socialismo ou barbárie, mas temos que ver o que chamamos de socialismo, que não é - com certeza - o que se construiu na União Soviética."
(Reginaldo Moraes)

"Temos que travar a luta nacional, pois nossos capitalistas vão continuar fazendo o trabalho sujo de despachantes do capitalismo, mas essa luta tem que ter desde o seu início uma estratégia internacional."
(José Martins)

"A teoria de Marx é extremamente viva para a análise da economia. Não existe nada mais atual."
(José Martins)

"Só com um programa e clareza de objetivos os trabalhadores - e só eles - têm a solução para contrapor os ataques do capital".
(José Martins)

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